Fiquei profundamente comovida com isto.
Foi o desabafo mais lúcido e honesto que já vi um pai fazer diante do drama que é ter um filho viciado, dependente de drogas e/ou álcool.
Geralmente, num caso desses, culpa-se o pai e a mãe. Não deram educação, não deram limites, não deram amor. Como se tudo, tudo na vida de um filho, todas as suas decisões e seus passos, dependessem de nós, estivessem necessariamente atrelados ao que fazemos, deixamos de fazer, somos ou deixamos de ser como pais.
É muito fácil. É muito cômodo. Botar a culpa em pai e mãe é mole. Elimina-se no livre arbítrio. Simples assim.
Numa coisa o pai está coberto de razão: dificilmente um adicto vai por vontade própria e com as próprias pernas para uma internação para desintoxicar-se e começar a livrar do vício. É um tratamento caro e demorado, eu diria até, em certos aspectos, vitalício. Que o estado não cobre e não provê.
Resta aos pais a opção e construir uma jaula em casa e fazer a 'terapia' com as próprias mãos, sem recursos, acompanhamento profissional e orientação. Sem apoio.
Eu honestamente não hesitaria em internar um filho à revelia dele. Para poupar esse tipo de sofrimento por que duas famílias estão passando agora. E o próprio sofrimento do rapaz. Às vezes nos cabe deixar que escolham. Às vezes precisamos fazer por eles - para eles.
***
Mês de dezembro se avizinhando e eu, como os patos em migração, vou para o sul.
Terra e mar em igual proporção.
Vinhedos e oceano.
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Momento babação explícita, meu guri corre um estadual ao lado de homens experientes, campeões brasileiros, sulamericanos e mundiais.
São 46 galalaus na raia.
E ele cravou um nono e um décimo.
Na frente de alguns campeões, correndo de igual para igual, como se não tivesse 14 anos.
Abaixo do peso para a área vélica, barco de gente grande que exige técnica, maturidade e experiência, e ele não quer saber: parte pra cima mesmo.
Está com as mãos arrebentadas pela força para controlar a vela grande em ventos fortes como os desse fim de semana.
Mas feliz da vida.
E eu fico aqui cheia de orgulho.
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