Fui ali apartar uma briga às 6 horas da manhã. Então! Eu tinha colocado a garrafinha de água açucarada para os caga-sebos, com peninha que estava deles pelo tempo gelado e chuvoso. Daí que sento para trabalhar no meu diminuto, porém charmoso, homiófice, e começou uma farra daquelas na varanda. Eu, a tola, toda animada, crente que os bishos (com 'sh', trademark Claudia B.) estavam no maior love só love, e, pasmem, era uma briga daquelas.
Um contra dois.
Um de cima da grade, chegava a baixar o corpinho e esticar o pescoço, dando uma carraspana daquelas em dois no poleiro embaixo, que respondiam em voz (pios) alta. Boa coisa não tinham feito aqueles dois. Um decide subir, tipo, vou aí, hein? E toma uma saraivada de bicadas. Volta com as penas do rabo entre as patas, faz queixa com o terceiro. E eu ali, só olhando. Sim, sim, eu tenho trabalho a fazer. E dois. E estava ali, apreciando aquela baixaria toda.
Pensei em correr ao quarto e pegar a câmera para filmar, mas fiquei com medo de perder alguma cena importante, sei lá, penas voando, um pescocinho decepado, um bico trincado. Pura emoção.
Na saída, quando a coisa acalmou depois de uns goles de água açucarada, eu achei por bem avisar:
- Podem se pegar à vontade, contanto que fiquem longe das minhas lavandas.
Pelo sim, pelo não, voaram os três para outra varanda.
***
Não quero causar inveja, mas o dia de são jerônimo foi devidamente comemorado com goles de Santa Helena carmenère, salada de camembert com damascos, presunto de parma, ovos de codorna e alface crespa, depois um suflê de salmão. Cafezinho e trufas de chocolate de sobremesa.
Eu mereci cada caloria ingerida.
Ao que agradeço ao patrocinador do 'evento'.
***
Guri nas primeiras aulas práticas da autoescola.
Entre 8h e 10h eu não saio às ruas.
***
Alguém me escreve perguntando sobre a minha fazenda e meu aquário virtuais.
Comenta que "é coisa de criança".
É a segunda vez que eu escuto a gracinha.
Não ligo.
Curto demais minha fazenda, onde planto árvores, legumes, verduras, crio porcos (e agora elefantes, vai entender?) e tenho até patinhos feios que viram cisnes.
No aquário, alimento meus peixes que crescem e acasalam (descobri que financio cada trepada deles a 13 coins; quem dera os moteis custassem 13 reais!) e, depois de crescidos, devolvo os bishinhos para o oceano. Tudo politicamente correto.
E aí vem uma, do alto de sua titulação de 'doutora' em alguma coisa que nem sei, e ri, em tom de deboche, perguntando "até você?"
Como assim "até eu"?
Para não ser grossa, devolvi apenas um olhar de "what the fuck?"
Brinco na hora, dizendo que "sou meio retardadinha mesmo".
À outra apenas digo que tudo aquilo que fazemos com prazer, alegria e nos dá satisfação vale.
Não rouba tempo do meu trabalho.
Não machuca e nem prejudica ninguém.
Então, gente, menos.
Tá?
Pentear uma Barbie pode render horas de total relaxamento. Experimentem. Eu fazia com as minhas sobrinhas e era ótimo. Depois ia ler Foucault, podem acreditar. Não virei uma ameba louca por causa disso. A vida não é só cabeça. Intelectualizar tudo acaba deixando a criatura seca, amarga, triste, feia e enrugada. Economize no creme. E na acidez que você despeja em terceiros: penteie uma Barbie, monte uma casinha de Legos, aperte uma briga de passarinhos, plante lavandas.
Vai por mim.
***
Minha Linha Direta com Ele entrou no túnel e está chiando.
A ligação caiu, mas volta já.
***
Setembro se foi.
Arranco mais uma folhinha.
Agora, outubro.
Pior: ontem vi as primeiras luzes natalinas numa janela.
A frase que vociferei dentro do carro continha cinco palavrões, uma vírgula e um ponto de exclamação.
Gente doente!
E eu sei que ao passar pela l.a. hoje verei pinheirinhos, penduricalhos e panetone na vitrine.
Mais um pouco, sou eu tirando meu presépio prateado do armário.
Passa mesmo.
Este ano voou.
Ano passado, 'blurred'.
Este ano, 'rage'.
Foi mais ou menos assim.
Não sei como e o que vai ser a minha retrospectiva de 2009.
Faço todos os anos.
Mas, agora, neste, não sei nem por onde começar.
Talvez seja melhor não falar nada.
Ou só de trabalho.
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6 comentários:
Ha pouco tempo li um texto de uma psicologa espiritualista (HAHHAHAHAHHAHAH, so eu, ne?) que falava que as pessoas tem uma tendencia a fazer o outro de espelho. Uns refletem o nosso lado bom e nos gostamos da companhia e nos afinamos com elas. Outras, porem, refletem aspectos ruins da nossa personalidade, que nao gostamos e nao queremos lidar/ver.
A doutora ai te fez de espelho.
Se ela nao aprendeu a respeitar os diferentes aspectos das personalidades humanas sem preconceitos, entao ela nao aprendeu nada.
Porque isso e o basico da convivencia humana.
Na mosca, fia!
Pelo menos a pequena fortuna que eu pago pro meu analista todos os meses vem me ensinando a, em vez de mandar essas criaturas à merda, simplesmente
a) fazer olhar de 'what the fuck' ou 'so what?", dependendo do destinatário
b) fazer cara de folha, cara de Q, cara de quem comeu peixe vencido
c)fazer bolhinhas de fumaça de Benson & Hedges e dar um risinho meaning "I can't ignore you more"
d) mandar pentear uma Barbie
Essas pessoas morrem cedo. E nem falo de morte física, corporal, real. Morrem em vida mesmo. Vão murchando e/ou se afogando em suas verdades absolutas e/ou sua pilha de diplomas e títulos.
Quanto a mim, prefiro manter vivo o 'meu lado menina" até o fim. Saber olhar a vida e apreciar, até mesmo, você sabe, quando a gente tem tudo para olhar a vida, sentar e chorar. Não espero mais o melhor das pessoas como antigamente. Apenas que, se possível, não encham o meu saco. E me deixem plantar e colher minhas abóboras virtuais em paz.
Né, não?
Disse tudo.
Cada vez mais, as pessoas estao morrendo por dentro, numa tentativa desesperada de serem cada vez melhores... Por fora.
Nao me refiro tao somente a estetica, mas essas procuras insandecidas por titulacoes profissionais, dinheiro, reconhecimento, se nao publico, ao menos daqueles mais proximos, enfim.
Eu acho que as pessoas, de uns bons anos para ca, pararam de vez de se comprometer com elas mesmas e cuidar delas mesmas e passaram (e passam cada vez mais) a viver em funcao do outro.
Tem de ser melhores que o outro, mais bonitas que o outro, com emprego melhor do que o outro, e por ai vai...
Eu continuo na minha boa e velha busca por mim mesma, o que me faz bem, o que me faz feliz.
E, assim como vc, eu so espero que a humanidade nao me siga, porque eu nao sou novela! HAHHAHHAHAHAHA
Como eu faco para ter uma fazenda virtual? E um programa?
E serio, to interessada! Vc me fala?
Beijao!
Amei!
Também não dou a mínima para comentários como esses. Graças a Deus (sim, acredito nele!) mantenho o meu lado criança vivo. Corro pela casa atrás da minha gata como se tivesse cinco anos de idade, gosto de comer "porcarias" de vez em quando sem me preocupar se vou ou não engordar e sim, tenho uma fazendinha virtual e adoro! Exercitar o meu lado criança me faz mais adulta e mais compreensiva do que pessoas que torcem o nariz pra tudo, vivem de mau humor e gastrite por não saberem aproveitar a vida.
E dona Chaleira, entra no Facebook que a gente te apresenta a todos esses brinquedinhos.
Bjos!
Obrigada pelo convite, eu vou aceitar sim!!!
Beijao!
Bom saber que existem "outras" como eu!
E, Krika, a fazendinha (Farmville) é no Facebook. É só entrar lá, criar um perfil (melhor que o Orkut, pois o 'povo' só tem acesso às informações que vc quiser), não precisa foto, nada. Vai lá. E divertido e relaxante. E vc já pode contar com pelo menos duas vizinhas :)
Beijos, meninas
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