Surreal

Então que eu vivia há 15 anos em feliz idílio com o meu banco. Praticamente um casamento feliz. Mas alguma coisa mudou, como nos casamentos que passam por crises mais amenas, médias, graves ou irrecuperáveis: comecei a ter problemas. Insatisfeita - foi a palavra que usei com o simpático gerente.
Mas, sabe, como na solução das crises conjugais há gente que apele para mais um filho, resolvi fazer uma aplicação no banco E cancelar um serviço pelo qual o banco me cobrava, mas pouco me servia. Tudo no mesmo dia, na mesma tacada, assim, com duas frases de diferença.
Hum. Bad move, girl.
O rapaz tenta me convencer mais uma vez por que eu 'precisava' daquele serviço inútil e caro - 30 paus por mês, mas não adiantou, pois se ainda fosse inútil e gratuito, estava pouco me lixando. Então me fez assinar um papel - que eu li e, juro, enxerguei mesmo - no qual eu cancelava o tal serviço (e, sim, pensei, a tal cobrança bancária).
Qual não foi minha surpresa, puxo o extrato e vejo que o serviço inútil, caro e cancelado havia sido debitado da minha conta duas vezes. DUAS. Com o intervalo de uma semana. Ou seja, 60 paus. Cheiro de ex-marido entrando pela porta - inútil, indesejado e muitas vezes caro também.
Era uma boa briga. A que eu precisava na semana de enxaqueca.

Acordei com Killer em cavalo. E botei um x-9 para enviar a luva para o gerente do banco. Visualizei o pobre rapaz, daqueles que aperta a sua mão mole. Ai, como eu odeio aperto de mão frouxo! E mãos cuidadosamente manicuradas, grosso anel de prata no dedo anular direito, cabelo em corte escovinha com topetinho de gel e frases que geralmente começavam com um "veja bem".
Aperto de mão frouxo + "veja bem" introduzindo as frases = irritação profunda.
O rapaz explica tudo ao x-9, que me relata a pendenga pelo telefone.
Triangulamos a conversa ao telefone.
Satisfeita?
Não.
Ele perdeu a carta que eu assinei abrindo mão do serviço inútil.
Killer rosna. Lindinha engole dois lexotans com chá de pata de vaca.
Soluções:
- fico com o pacote peão, que dá direito a poucos serviços (igualmente inúteis), mas é gratuito.
- perco o cheque especial e os dias sem juros (coisa que usei uma vez em 15 anos por pura distração minha)

Não estou satisfeita.

Killer estava impaciente, mordia a focinheira; Lindinha, meio dopada, sentia o enjoo subindo pela garganta.
Ligo para o boneco outra vez.
Faço perguntas, peço uma carta formal do banco dizendo por que 'errou' ao me cobrar indevidamente a mesma coisa duas vezes além de perder um documento assinado por mim (do qual eu, claro, tenho cópia).
No meio disso tudo, falo que "não mereço ser tratada daquela maneira". Foi a vez de Lindinha.
E foi impressionante o efeito que essa frase surtiu.
Ele comunicou que tinha estornado o TRIPLO do valor debitado equivocadamente da minha conta e disse que "acompanharia aquela conta atentamente por um mês, pois ela era muito importante para o banco".

Killer saiu feliz com o peso de pá, peito e acém que lhe foi concedido, e Lindinha, pós-mimimi, recolheu-se à tradução do livro de patologia e do texto de entomologia.
Isso tudo sem botar o pezinho fora de casa.
Quanto ao futuro da relação, depois de devidamente discutida assim, só o tempo dirá.
Em se tratando de mim, sempre pensando na possibilidade de puxar o extrato amanhã e terem me debitado do triplo do triplo que me estornaram.

2 comentários:

ॐ Krika ॐ disse...

Eu li direito?!?
E N T O M O L O G I A ??
EEEEEEEECCCCCCCCCCCCCAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!

Min disse...

Puro preconceito seu ;)

Vai por mim que em patologia tem coisa bem mais eca.

Bjs

Postar um comentário