Há muito tempo não tínhamos uma noite tão gostosa.
Juntos, na sala, o notebook do Bruno ligado com música tocando e um jogo de copas comunitário.
Grata por ouvir sair daquela máquina de um 'guri' de 18 anos pérolas como Chico Buarque dos anos 60/70, Monarca e a Velha Guarda da Portela, Jorge Aragão, Paulinho da Viola.
Samba de raíz, que é o que nós gostamos.
E acho que deixei boa herança ali.
Claro, teve também, como não poderia deixar de ser, Aerosmith, Los Hermanos, Paralamas, Oasis e algo que os meninos explicaram como "tecno-brega", recém-importado do meu filhote africano de Pernambuco. Letras engraçadíssimas, muito bom humor e criatividade. Amei.
Foi o papo na varanda, onde estava mais fresco e corria uma brisa bem discreta, mas corria.
Ótima oportunidade para acender TODAS as minhas velas aromáticas - as que trago de todos os lugares do mundo que visito.
A casa ficou inundada do perfume das velas de lavanda, bergamota, verbena e limão.
Uma delícia!
Cantamos (e dançamos), falamos dos treinos de valsa, da faculdade, do Natal que se aproxima "mãe, vamos baixar a árvore, sim, e montá-la como sempre fazemos!"), de estudos, de planos, de viagens que fizemos.
Contamos histórias e piadas, rimos e debochamos como sempre.
Ninguém arredava pé da sala, onde todos ficamos juntos, espalhados por almofadas, no chão ou no sofá.
À luz de velas mesmo, o Gu terminava a planta baixa de um jardim - trabalho escolar para hoje, não tinha jeito (o que é que eu digo sobre deixar as coisas para a véspera?).
Demos pitacos no trabalho dele, uma flor aqui, um canteiro ali; difícil nos decidirmos pelo melhor tom de verde ou de terracota porque pouco se enxergava. Mas ficou bonito. Hoje de manhã vimos o resultado final.
Quando enfim a luz voltou, já era muito tarde, bem passada a hora de dormir habitual, mas nos olhamos com uma expressão quase de pena por aquilo ter terminado.
Precisamos fazer isso mais vezes. Apagar as luzes, desligar tomadas, desplugar de coisas para nos plugarmos ao outro.
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