Quando não se aprende nunca
but I've learned too late
"Caramba, onde esse menino se perdeu?"
Obrigada pelo link, B.
***
Garrafinha de água açucarada para os beija-flores, os caga-sebos e as andorinhas, minhas lavandas agora estão em paz.
E a salvo.
Agora tem também potinho de comida.
Mas um pouco, uma banheira.
***
87 laudas traduzidas so far.
E parece que tenho um tijolo nas sobrancelhas...
Drogas, transtornos alimentares, depressão e suicídio entre crianças e jovens.
É o capítulo da vez.
Triste, muito triste.
***
Sempre que ouço às 18h a frase "estou com fome", me vem à cabeça a mesma cena, a mesma fantasia que tenho há tempos:
eu abrindo um saco de 30 kg de Bonzo e espalhando no chão da sala.
***
Achei um site lindo que faz joias em prata com símbolos do Rio de Janeiro.
De cara me apaixonei por um pingente dos portões do Jardim Botânico.
Claro que estava esgotado, né?
Estou entre os brincos Urca e o colar do bondinho do Pão de Açúcar.
E o anel dos Arcos da Lapa.
Ok.
Quero tudo.
Fazer o quê?
Eu sempre fui assim: uma pessoa que quer tudo, mas geralmente não tem o meu tamanho.
Telhados de vidro
(ou, “no olho do outro é refresco”)
Este fim de semana, acudi uma pessoa que, depois de usar pimenta no pastel, sem querer esfregou o olho e, imaginem, foi aquele desespero. Corri no quarto e peguei o líquido que uso para limpar as lentes – líquido estéril – para lavar o olho da criatura.
Alívio imediato.
De pronto, brinquei com ele, dizendo “você acaba de provar o ditado ‘pimenta nos olhos dos outros é refresco’”.
Estávamos lendo jornal e conversando sobre a morte de Michael Jackson. Dois, três dias depois, a quantidade de reportagens e textos sobre o assunto é impressionante. Elas vêm como um bloco, uma coisa massacrante e, sim, asfixiante. Me agonia, confesso, ver o lixo da criatura ser revirado, seus armários abertos, sua chaga exposta.
Recebo em meu e-mail as primeirass charges. Recebo as primeiras piadas. Leio o que as pessoas comentam em grupos de que participo.
E continuo abestada.
Abestada e triste.
Fala-se com louvor de quem morreu no mesmo dia que Jacko – a linda atriz Farrah Fawcett, linda e doce, cujo documentário sobre o sofrimento causado pelo câncer, sua luta e os últimos dias assisti na internet, comovida. Ela tinha câncer. Lutou até o fim, fez de tudo. Deu voz a seus sentimentos. Deixou ali um depoimento comovido e comovente daquele caminho. “Quero contar a minha história” – foi mais ou menos o que ela disse em outras palavras.
Todos nós queremos contar a nossa história. Estou aqui no blog, estamos aqui na rede, sentamos na mesa do bar, nas festas, na casa de um amigo e contamos as nossas histórias. Todos temos uma a contar. Qualquer que seja.
Michael também tinha. E contou a dele. Sem poder ‘falar’ além de sua música, falou através de sua transfiguração, de sua morte. Não era um santo. Não era perfeito. E isto ficou bem claro desde bem pequenino. E mais implacável ainda na sua morte. A transfiguração daquele homem era, a meu ver, um grito. Que, infelizmente, não foi ouvido. Porque normalmente não conseguimos ouvir a voz da alma alheia.
A alma das pessoas adoece e as chamamos de frescas, fracas e inúteis. Pessoas se matam, se jogam de pontes, atiram em suas próprias cabeças, tomam centenas de comprimidos, e tudo o que sentimos é decepção e raiva. Nossos egos não nos deixam olharmos além dos nossos próprios umbigos. O outro existe enquanto parte de nós. É o que parece.
Vi dois anos atrás um menino lindo, talentoso, sensível e bom sofrer com transtorno obsessivo-compulsivo durante um mês. Um mês foi aproximadamente o tempo que duraram seus sinais e sintomas. Um mês foi o que eu ‘vi’, não o que ele demonstrou. É bem provável que o problema já estivesse ali bem antes, e algo precipitou um quadro que incluía lavar as mãos obsessivamente vinte a trinta vezes por dia; não alimentar-se achando que todo e qualquer alimento estava contaminado; vestir as mesmas roupas dias a fio temendo que todas as outras do armário, limpas e passadas, estivessem sujas e contaminadas; crises de ansiedade; choro; insegurança.; regressão; medo; depressão.
O que soube e vim a entender posteriormente é que o menino dizia com o corpo a dor da alma que não conseguia verbalizar. Precisava de ajuda profissional, e em pouco tempo, com terapia e paciência, ele ficou bem. Bem? É. “Bem” no sentido de vencer os comportamentos e ritos obsessivo-compulsivos e conseguir falar, dizer, verbalizar, chorar lágrimas sem espuma do sabão para lavar, alimentar-se, vestir-se, dormir, ser feliz.
O que Jacko não conseguiu foi ajuda. Nem ao menos sei se buscou. Provavelmente, não. Pois para a legião de fãs, aquela transfiguração fazia parte do show. Para Jacko, era patológico. Para sua família (e, sim, alguns “amigos da onça”), voltar a ser o crioulinho fofo não era opção. A transfiguração virou um negócio para o mundo à sua volta. Para Jacko, virou doença. Ele acabou morrendo assim. Ele morreu e o mundo à sua volta deixou que ele morresse. De solidão, de tristeza, de excesso do que não precisava, de falta do que gritava por outros meios para ter.
Então me dói muito ver o sofrimento zoado, apedrejado e também glorificado. Não há o que santificar ou demonizar aí. Há o que se pensar. Jacko foi seu próprio algoz e sua própria vítima. Todos à sua volta, idem. É preciso estarmos atento ao olho, à mão, ao suor. Ao não-dito. É aí onde moram a saúde e a doença, a tristeza e a alegria, o silêncio e o grito.
Monday morning
***
Envolvida numa discussão - como ouvinte - sobre o sexo dos anjos, vou lendo mensagens de engenheiros, médicos, advogados, arquitetos, empresários (SQD - 'sem qualificação definida') e que tais, a grande maioria na faixa dos 40-50 anos, e fico estarrecida com o português absurdo que escrevem.
Não basta a redação ruim. Não basta.
A quantidade de erros gramaticais é assombrosa.
(Não adianta rir por trás e dizer que tem erro aqui no blog. São erros de revisão que não estou com saco de corrigir.)
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FDS profícuo com DR e DAs.
Fico 24 horas sem ver um filho e, quando o encontro, juro que cresceu ainda mais.
O céu para uns é o limite.
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Não tenho palavras para agradecer 10 minutos de papo de quem já viu de tudo na vida, já fez de tudo, já ouviu de tudo, e ainda assim olha bem nos olhos e diz:
- Eu acredito.
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Não adianta talento, esforço e amor.
Há sentimentos que fazem com que a pessoa chegue por último.
Quando poderia simplesmente estar em primeiro.
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Um cão tem o estranho faro para sentimentos humanos.
Você põe o pé para fora da cama, veste o seu melhor sorriso, estampa a sua melhor cara, e o bicho vem pedir carinho como se não a visse há anos.
Não vem pedir o seu carinho.
Não.
Vem dar o dele pra você.
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Semana de corrida.
Maratona tradutória.
Pela manhã, meus olhos gritam: "Você é uma irresponsável".
Devo ser.
Mas os irresponsáveis entregam trabalho no prazo.
E bem feito.
Ídolos - o pedestal e o limite vertical
Tive - e tenho - admiração por um monte de gente, mas sempre tive dificuldade de idolatrar. Uma estranha mania a minha de enxergar a pessoa por trás do nome, do título, da posição. Gosto de observá-las como pessoas normais despidas do 'hábito'.
Olho o espetáculo em que se transformou a morte de Michael Jackson com a mesma pena e espanto que observei sua vida. Gostava dele. Gostava das músicas, de suas invenções, da voz e das produções sofisticadas e extremamente profissionais que cercavam seu trabalho, mas não me vejo gritando, chorando e esperneando em nenhum show dele, como não o fiz em vários shows de artistas que adoro.
É triste ver uma pessoa morrer assim, não um ídolo, mas uma pessoa talentosa que sofreu tremendamente a dor que só ficou visível pela aberração em que ele se transformou. E é aquela velha história: nós, as pessoas "normais", temos uma enorme dificuldade de reconhecer as doenças da alma, da psiquê, como 'doenças'.
Doença é câncer. Aí o cara morre e vira um coitado, um mártir. A doença da alma não faz casquinha, não empelota, não vaza. Ou, quando o faz, é mais ou menos assim como aconteceu com ele. Mas então o cara é massacrado. Sofrimento é fraqueza. Depressão é fraqueza. Ficamos decepcionados.
Eu tenho pena. A doença da alma muitas vezes me entristece e penaliza mais do que a doença física. Porque é cercada de incompreensão, preconceito e vergonha. É cercada de ignorância.
O cara - talentoso, brilhante e tal - era um coitado. Era uma pessoa, um ser humano doente. Mas vira piada, vira escárnio, vira um 'já vai tarde' para muitos.
Difícil olhar a dor estamapada e ter compaixão. Para ela, muitas vezes não tem remédio. Ou tem esse aí: morrer aos 50 anos (e provavelmente em consequência do vício em analgésico, dizem.).
Que agora ele, enfim, descanse de fato.
Hope
O homem da tv a cabo vem.
Eu juro. Ele vem.
Demora, dá bolo, faz charme, mas vem.
E ele é legal, gente boa, ensina tudo, deixa tudo arrumadinho.
Tá vendo? Homem da tv a cabo é como qualquer um: eles não ligam no dia seguinte, mas acabam aparecendo.
Tem tudo agora.
Vam virá poligrota.
Tô curtindo pacas a tv alemã.
Não entendo nada e tenho sempre a sensação de que as pessoas ali estão com raiva.
Já a tv espanhola, vocês sabem, tem aquele efeito em mim.
Todos os canais esportivos.
A paz reina e a felicidade impera entre a matilha.
Nada como uma resenha ou o futebol europeu para deixar um guri sorridente.
E a mãe lendo Sontag em paz no quarto.
Ah, e tem música, uia!
Delícia o canal de músicas juninas.
Só falta a fogueira, o quentão, as tranças e as sardas no meu rosto.
Passarei uma noite feliz lendo o manual de instruções do decodificador digital.
Psycho, she is.
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Como nem tudo são rosas, notei a falta de dois canais.
Liguei no meio do jogo do Brasil.
Surreal.
Here: Fazer o quê? Desligar e ligar de novo a TV?
There: Sim, senhora. Vamos ressetar. (!)
Here: Peraí, depois dessa cobrança de falta aqui (dear lord, o que é esse gengis khan brasileiro de olhos verdes que vai cobrar a falta? qué iiiiiisssssoooo!????)
There: Senhora?
Here: Peraí, moço, a falta. Só um instantinho. Óóóóó, gol!
There: Do Brasil?
Here: É. Beleza! Então vamos, desligar e ligar de novo, né?
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There: É uma falha de caráter.
Here: Sim, eu sei.
There: A pessoa não tem ciência do sentimento alheio, pouco importa. Usa de artifícios para conseguir o que quer, para manipular os outros, aproximar-se, seduzir e prender.
Here: Sei.
There: Mente compulsivamente, faz artimanhas, acredita naquilo tudo como a verdade absoluta. Mas aparentemente é uma pessoa normal, como qualquer outra, entende?
Here: Hum.
There: Monossilábica hoje?
Here: Não. Tô aqui fazendo a lista.
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“Deixo que você faça o próprio jogo, que crie a sua história, voe nas suas viagens. Observo de longe. É um trem que vai passar e que passa e eu não entro. Você ficou na última estação. A minha é a próxima. Sempre será.” (Pouca Coisa)
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“A falta de lugar é o que faz escrever. Não é o lugar. Se você tem um lugar, você não vai escrever. Escrever é procurar um lugar.”
(Fabricio Carpinejar)
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Uma caixa de nha bentas.
Foi o que ganhei ontem.
Devidamente escondida na geladeira embaixo do saco de chuchus.
A matilha não procura nada embaixo de um saco de chuchus.
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Gostava dele, musicalmente falando, quando era um gurizinho de seis anos e cantava no conjunto com os irmãos.
Fazia clone dele em casa.
Ontem, alguém que lembrou disso me ligou.
Lembrou de quando eu cantava Ben.
Lembrou de quando a gente acreditava em músicas como I'll be there.
A última coisa dele que eu realmente gostei foi She's out of my life.
Depois daquele disco, a coisa desandou feio.
Saiu o menininho e o jovem talentoso, e infelizmente a doença falou mais alto.
Não julgo.
Morro de pena de gente doente.
Principalmente doença da alma.
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é quando fica mais parecido comigo: zangado. Ainda
melhorou um pouco depois que soube que tirou 10,0 em matemática
e 11,0 (é, onze, um ponto sobrando por ter acertado o desafio) em física
como se vê, esporte não emburrece
Paca, pouco ou picas
Li atentamente as notícias, sinto a coisa chegando mais perto, minha irmã liga no meio da tarde preocupada com os meninos, diz para eu ficar atenta.
E ficamos assim, meio sem saber o que fazer.
O melhor amigo do Gu voltou dos EUA depois de morar lá um ano. Faço o quê? Digo para ele - feliz da vida com a volta do amigão - para não ir ver o amigo, jogar bola e matar as saudades? Isolo os guris? Pois se é meu filho mesmo que nas duas próximas semanas estará ajudando o amigo com a matéria perdida para uma prova de nivelamento - já que o guri volta às aulas na escola em agosto.
Compro máscaras? Me tranco em casa?
A Bia diz que o máximo que podemos fazer agora é evitar sempre que possível aglomeração em locais fechados e, o mais importante, lavar as mãos com mais frequência, principalmente ao chegar em casa.
O que mais me deixa besta é a cabeça das pessoas. Li no jornal um comentário de um leitor, se referindo à suspensão das aulas na escola particular: "é gripe que só pega em rico; meu filho estuda em escola pública e não vai pegar". E por aí foi o sujeito.
Mas hein? Gente boa, que dificuldade! Até nessa hora as pessoas conseguem ser tão tacanhas? É como dizer que só rico morre em acidente de avião!
Esse tipo de 'pensamento' é bem mais maligno do que qualquer vírus.
Ignorância raramente tem cura.
E só tende a piorar com o tempo.
Ignorância me irrita pacas.
***
Alguém tem um estilingue sobrando?
Eu, a "riquinha" que tem passarinhos na varanda que não gostam de mamão e laranjinha.
Só vão de flores de lavanda.
Na próxima reunião, vou atacar, revirando olhinhos e jogando cabelos: "ah, meus passarinhos só comem flores de lavanda!"
***
Sujeito liga.
08:01 h.
Aquele sotaquezinho característico.
Sem dizer alô e bom dia, pergunta a que horas começa o expediente.
Em três ou quatro segundos, passam umas dez respostas pela minha cabeça.
Todas correspondéindo ao sotaquezinho.
Mas lembrei que sou educadinha e disse só que era engano.
Aqui não tem expediente.
***
“Na última curva da estrada, logo depois do retão cheio de árvores curvadas pelo vento, meu estômago embrulha. Sinto o café me vir à boca. Agora é assim. A cidade que sempre amei, o lugar onde me sentia à vontade, o que me era a chance da solidão em paz, do mar, do azul e do verde, hoje tem o gosto amargo. Caio na rua de paralelepípedos, passo em frente ao hotel – a ele, todas as vezes que chego ali. Olho a fachada, sinto o gosto do pão na boca, lágrimas quentes presas e duras, as mãos geladas, a espinha fria. Jamais será como antes novamente. Eu sei, nada é igual a antes depois. Mas minha cidade me fora roubada. Eu me sentia navio pilhado. Já não tinha mais aquele porto – o meu, que antes era meu, que sempre fora meu. Levaram a minha meninice, a minha alegria, o meu brilho, o meu riso fácil. Pior, levaram a minha crença. Agora sou mais uma naquela rua, me equilibrando nas pedras soltas, sem mais conseguir sentir o cheiro da maresia, a graça, o encantamento, sem o olhar no porto e nas estrelas sempre fartas. Sou órfã de uma cidade. Uma peregrina sem fronteira.”
***
tava muito zangado mesmo
pacas
Perdões
“Basta pedir desculpas e está resolvido”.
Ah, efelentífimo! Ah, se fosse assim!
***
Dezesseis horas depois, termino o trabalho-sanduíche(íche) que entrou aqui.
O nome ‘trampo’ veste como uma luva nele.
Três páginas de discurso do efelentífimo no roteiro, bonitinho (ou mais ou menos).
Até aí, foi.
Depois, ele pede a ‘paciência do intérprete’ para dizer mais umas coisinhas (assim mesmo, neste português castiço).
Foi que eu gelei.
Daí para frente, foi trolha atrás de trolha.
Coisas que eu sequer tinha coragem de traduzir para o inglês.
Tipo, quatro linhas de aposto explicativo introduzindo um raciocínio que, no final, ele não concluiu.
Achei por bem concluir por ele.
E assim a coisa foi.
Chegava às raias do impossível. V
ergonha. De novo. E sempre.
No, he can’t.
***
De nada, viu?
***
Eu aqui, in love com os passarinhos na minha varanda, a tchurminha de caga-sebos que nasceu no buraco do meu ar-condicionado e foi adotada pelo prédio inteiro.
Tem mamão, laranjinha e alpiste em todas as varandas.
Eles cantam, piam, brincam e saltitam o dia inteiro, umas graças.
Trudia botei um mamão lá fora.
Nada.
Pensei em convidá-los para um rodízio no Porcão, sei lá, vai ver né, passarinho muderno.
Ou uma paella no Shirley do Leme. Nada.
Daí ontem estava uma piação dos infernos e fui olhar.
Não é que o desinfeliz do caga-sebo estava ciscando as flores de lavanda?
Ah, bixim dos infernos!
Havaianas de pau nele!
Vaza!
Hoje de manhã estava o mocinho lá, todo feliz, plic-plic nas lavandinhas.
Dei-lhe uma espinafração daquelas.
Toma um rumo, sebo!
***
Enquanto eu molhava as plantas durante a resenha dominical:
- Sei lá quem é. Nunca vi esse cara.
- Técnico novo, dizem.
- Vem de fora.
Eu, de canto de olho na TV:
- É Ricardo Gomes, zagueiro da seleção brasileira na década de 1980/1990. Foi do Fluminense.
Silêncio na sala.
Vou saindo de fininho.
- Cara, a mulher é sinistra mesmo.
***
Duas horas e meia de estrada, bunda quadrada, saco cheio, e o guri lá atrás com o amigo em diálogo em hindu.
- ... então, tá ligado, o cara orçou demais e depois cambou na cara do Fu, tá ligado e aí foi sinistro porque no final ele sai lá de trás, tá ligado...
Eu, do alto de quem acaba uma longa tradução sobre adolescentes e a tal “necessidade de pertencer ao grupo” não fico tão chocada. Percebo claramente que ele fala assim quando está no ‘peer group’. É capaz de um longo papo sem usar essas gírias de Maichysson. Pertencimento.
Lá pelas tantas, sou eu de tampo cheio:
- Filho, ligadona, 220V e prestes a entrar em curto-circuito. Valeu?
***
Fui arrumar a mala e ela (Biba) entrou no quarto, deu uma cheirada, pediu carinho e deitou-se na porta.
Como um bezerro pós-pastagem.
E ali ficou. O olhar mais doce do mundo.
Como quem diz, “vai embora, não!”
Ah, os cães!
***
Here: ... pois eu virei atéia convicta.
There: Eu sempre fui.
Here: Atéia, cartesiana.
There: Nem nos passarinhos tu pode confiar mais...
Here: Nada, amiga. Nada no reino animal, vegetal e mineral.
There: Sobrou nem pedra?
Here: Neca. E ainda respiro bem fundo pra ver se o ar existe mesmo.
***
tava zangado
Anarriê!
Não que eu goste de festas juninas – na verdade, não gosto muito.
Mas sempre achei bonitinho, legal por ser expressão nossa, brasileira, coisa da nossa cultura.
É isso mesmo: funk.
Foi o que disse minha diarista – que na escola da filha, será ‘funk junino’.
Na mesma hora, imaginei a gracinha que é uma quadrilha dando lugar ao ‘bonde de são joão’.
Pi piriri piriri piriri piririr tuntz tuntz tuntz tac tac tuntz
“Anarriê, cachorras, u-u-u-u-u.”
Moças de trajes funkeiros típicos, aquela pose igualmente típica de mãozinha no joelho, bundinha empinada, rebolando de um lado pro outro.
“Com a filha de Maichysson/Clenilson queria dar uma enterrada/Mas Uylliamson vazou com a cachorra/Na hora de ir pra rabada”.
“Pula o microondas*, iá-iá/Pula a AR-5, iô-iô/Cuidado para não disparar/Uma rajadinha na popuza, meu negô”.
(N. da T.: microondas é onde os traficantes queimam vivos os X-9s.)
Sinal dos tempos.
Tô ficando velha meishmo.
***
Da série. “Psycho, she is”.
- “Então, no meu sonho, tinha uma menininha no meu colo segurando um patinho, um filhote de pato. Pretinho, o tal pato, só com o biquinho amarelo. E o patinho fazia quack-quack. E eu brincava com a menina, imitando o patinho: “quack-quack”. Acordei e escutei minha própria voz, boca aberta pra cima e tudo: quack-quack-quack-quack. Era eu, quaquejando. Ou quaquaquando. No meio da madrugada.”
Não consigo classificar como pesadelo ou.
Ou.
***
No outro sonho, era eu esperando um avião para Londres.
Mas na plataforma de trem.
O vôo saía dali, a pista era uma rua, asfalto, casas, carros e pessoas em volta.
E o avião não tinha teto, e as laterais eram vazadas.
Os pilotos? Dava para vê-los, nervosos.
Foi um cisco assim, ó, de goiabada que comi de sobremesa depois do jantar.
Só pode ter sido.
***
Trabalho cão – traduzir um discurso do efelentífimo do português que ele fala para o inglês lido por alguém cuja língua materna é o mandarim.
Que tal?
Estou empolgadíssima, como deixam claro as pantufas do Olho do filme Monstros S.A. que roubei do Gu por esses dias e estou usando.
***
Vambora dar um fim nos diplomas.
Isso mesmo.
Dou a maior força.
Para ser tradutor, não precisa.
Para ser jornalista, agora é lei, também não.
Para ‘mexer com computador’, idem.
Para ser RP, uia, nunca!
Meus planos para abrir uma barraca e começar a consultar vão de vento em popa.
Afinal, depois de 14 anos traduzindo quase exclusivamente medicina (e estudando para tanto – ué? Pois é!), tenho experiência.
Diagnostiquei um abscesso de orelha externa (nomenclatura nova, gente, tô atualizada) no meu filho antes do otorrino.
Levei-o ao profissional indicado para tratá-lo.
Que o fez com delicadeza e competência, não obstante a dor cã que o pobrezinho sentiu.
Pô, eu podia ter feito aquilo tudo direitinho.
***
Um dos meus ‘empregos’ formais foi em uma editora médica aqui no Rio, onde eu conheci, fui supervisionada e revisada durante dois anos por uma médica e tradutora.
Pois bem.
A moça, além de ser médica, tinha um português perfeito (IMVHO).
Não contente, resolveu cursar Letras para, segundo ela, ‘aperfeiçoar, aprimorar o conhecimento da língua e seu respectivo uso’.
Fiquei besta com aquilo.
E, no fim, tornou-se uma especialista mesmo, sabia muito, era incrível.
Terminou o curso, graduou-se e foi ... fazer pós-graduação em tradução!
Né, não?
Achava, segundo ela, essencial para o trabalho que fazia ter conhecimento e domínio superior dos idiomas.
Não obstante a trairagem final, foi com ela que aprendi grande parte do que sei hoje e, sendo justa, agradeço muito.
Mas o que ela deixou mesmo para mim foi esse exemplo.
Preguiça e profissionalismo não caminham de mãos dadas.
Viva o diploma no lixo!
Um país com cotas raciais para o ingresso na universidade pública e que aprova o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista só mostra a grande caca que somos.
Como se na universidade ‘só’ se aprendesse a escrever e a ‘mexer’ com jornalismo.
Viva o tradutor que passa as férias em Disney com os ‘primo’ e volta ‘fruente’ e, precisando ganhar um ‘mé’, passa a fazer uns ‘trampo’ a ‘dois real’.
A nossa auto-estima é mesmo uma beleza!
***
“Elisa botava a mesa, levantava-se quando cada um chegava e os servia. Um por um. O macarrão de um, o bife do outro, a salada. Inclinava a concha do feijão para servir aquele que gostava mais do caldo do que do caroço. Tinha três sabores de sorvete no freezer. Usava o sabão em pó que um tinha elogiado um dia. Falava arrastado, baixo, em tom meigo porque assim deveria ser. Prestativa. Altruísta – um dia ouviu. Perfeita, enfim. Ao sentar-se à cabeceira da mesa, o sol que batia por trás dela iluminava sua figura e ela parecia uma santa. A santa. Aquela. A sempre amada porque calada.”
***
tarde linda
Em tempo:
Só estou pagando por ela.
As usual.
***
Menino olha as flores na varanda.
E, agora, duas metades de mamão para os caga-sebos.
Olha para mim e sorri.
Como se eu fosse uma espécie rara.
Pergunta se podemos plantar ervas.
"São úteis, podemos usar na comida, e são cheirosas também".
Ok, ele me convenceu.
Ervas, então.
Preciso comprar a varanda ao lado.
***
Tem gente que sabe dizer as coisas.
As melhores, sempre.
Não sei como agradecer.
Eu sei, eu sei.
A velha e crônica dificuldade em receber.
***
Toco um terror com o lance do carro entre uma garfada e outra de salada e nhoque.
- Então, é um cross fox preto, igual ao da Stefhany, sabe?
- Tá me zoando, mãe.
- Nada! E mais: vem com um mp3 pré-instalado com as músicas do CD da Stefhany, aquela música inclusive, aquela que diz: "eu sou linda, a-bi-so-lu-ta, eu sou Stefhanyyyyy".
- Mas não é meio 'pequeno', mãe?
- É o que dá pra comprar, filho.
E ele dá aquela desfocalizada com o olhar perdido no horizonte, mas posso ler seus pensamentos em pânico.
- Caraca... o que vão zoar de mim quando me virem num crosse fox igual ao da Stefhany...
Cara, como eu sou perversa.
Madame Mean, she is.
Pedaços
Vergonha não é Sir dizer o que disse no senado. Sir sempre foi Sir, sempre será, vai morrer 'o' sendo. Não é, não foi e jamais será surpresa.
Vergonha é excelentíssimo, em mais uma de suas brilhantes declarações quando está fora do país, apoiar Sir. É. Dar apoio.
Vergonha maior é reconhecer e apoiar a tirania de um presidente 'eleito' como foi no Irã.
Vergonha é ele ir de encontro a tudo que foi em sua história, luta e palavra.
Vergonha - é o que sinto.
***
"Essas roupas não me cabem mais."
Ele disse que é uma metáfora do meu inconsciente.
Mais uma.
O fato é que, pela primeira vez na vida, faço zapt e zupt pra lá e pra cá com os cabides no armário.
O mesmo bom armário.
Hoje, com aquilo que me cabe, que me diz e que eu de fato preciso.
Vou virando franciscana; eu, minhas flores, vasinhos de mudas, adubos.
Não obstante o casacão vermelho, aquisição mais recente, desejo antigo.
Ao me ver outro dia em jantar chique de calça e blusa pretas, o colar da vovó e um rosto apenas tocado pelo sol, minha mãe disse, enigmática: "piegas, mas a verdadeira beleza está nas coisas mais simples; atingir a simplicidade é uma arte".
Ela deve estar de mãos dadas com ele a meu respeito.
Ele diz que notou que estou me cuidando mais ultimamente.
Ele diz que estou mais bonita ultimamente.
Ele diz que estou mais serena, segura e sábia - os três Ss - ultimamente.
(Eu digo que não; mais assertiva apenas.)
E desiludida, graças a Deus.
Assim: des-iludida.
***
O carro.
Sai Stefhanny, entra Tourão.
O trem parece um rinoceronte.
A ver.
***
Último capítulo do livro.
Vai deixar saudades.
Este, menos light, sobre problemas de saúde dos adolescentes.
Que são muitos.
Títulos assustadores.
***
Deve ser de fato uma grande decepção chegar até aqui e ver que eu não sou ela.
***
Capítulos
De novo.
É por uma boa causa.
O homenageado nessa edição é Bandeira.
Adoro Bandeira.
Tem coisas lindíssimas e pouco ‘apreciadas’. Preconceito, acho eu, com a literatura clássica brasileira.
Além disso, Paraty é o que há.
Passei dias lindos em Paraty, longe de feira literária e feriadão.
Dos lugares mais bonitos, tranquilos e românticos onde estive.
Saudades de Paraty.
***
Quarenta, éééééé, quarenta minutos com a moça da operadora de tv a cabo.
Comeu a bateria do meu telefone, esquentou-me a orelha, secou-me a garganta.
Parecia conversa de maluco.
Ela queria me dar o que eu não queria.
E o que eu queria que ela me desse, ela não me dava.
No final, chegamos a um acordo.
Quero a minha TV5 de volta e sem ônus.
Canal alemão e japa não me interessam.
Só queria mesmo a BBC e a TV5 de volta.
Consegui.
Agora só falta the cable guy aparecer.
Se o hamster não comer o cadarço do tênis dele, pode ser.
***
Há três meses não ponho os pés num supermercado.
Agora sou moça online.
Me divirto com a tal compra – exceto na hora de pagar.
A matilha come, e como!
Next mission: ensinar a minha veiota a fazer o mesmo.
O que me renderá dois domingos e quantidades industriais de paciência.
Só tenho saudade da fila da mortadela.
Mas acho até que posso dar um pulo nela sem ir ao supermercado.
Bons tempos.
Entre um suco de tangerina e uma fatia de queijo bola, havia momentos fantásticos ali. Acreditem.
Não é viagem na maionese.
Era puro encantamento.
***
Trabalhei demais.
Perdi a aula de francês.
Tomei ‘pito’ e tudo.
***
Setenta e três laudas depois, chego ao final do capítulo sobre adolescência.
Falta revisar e, zap, foi.
Maravilha, adorei, amei, delícia.
Gostaria de ter lido uns dois ou três anos atrás.
Pensando bem, não.
Eu teria perdido o efeito surpresa, os choques, o encantamento, aquela coisa de “o que vou dizer/fazer agora?”
É quando crescemos junto com eles e aprendemos mais sobre nós mesmos.
É quando amadurecemos mais um pouco e mais e mais todos os dias com os desafios que eles trazem.
E eles são muitos, são constantes; nos obrigam a sermos sensatos, equilibrados, ou dar aquela meia-volta e dizer simples e sinceramente: “querido, não vamos conversar sobre isso agora; cinco minutos você lá e eu cá, e nós voltamos ao assunto.”
Vivi e vivo – e estou certa de que viverei – coisas incríveis com esses meninos.
Momentos bons, bonitos, inestimáveis.
Crises, dúvidas, corações partidos, insegurança, culpa, excesso de zelo.
E medo.
Caraca, muito medo.
Não houve e não há – e estou certa de que não haverá – um só dia em que não pense que amanhã não poderia viver sem eles.
Que a vida seria insuportável, intragável, impossível mesmo.
Quando estive longe deles, descobri o quanto éramos próximos, o quanto nos amávamos e o quanto – surpresa minha – me admiravam e me respeitavam.
Sem gritos, faniquitos, surras e espantos.
Foi o que eu chamei lá, psicanaliticamente falando, de ‘devolução’.
Não consigo deixar de sentir falta da voz deles quando estão ausentes, de cheirar a blusa antes de guardar quando estão viajando, de sorrir quando me ligam, de me emocionar com palavras que recebo deles, com o jeito que cuidam de mim às vezes e sempre, sempre, sempre que uma conquista importante acontece na vida deles.
Traduzo este livro com prazer.
Desde a fase dos bebezinhos e vamos lá até os 20 anos de idade.
Como se eu percorresse um pouco o que vivi com eles.
Tem sido bom demais, ainda que cansativo, ainda que me roube o tempo de outras coisas que me são importantes, como a aula de francês que perdi para finalizar o capítulo dos adolescentes. Foi um livro especial, cuja tradução foi extremamente gratificante para mim.
É sempre bom saber, agora que a coisa está no meio, bem quentinha mesmo, que há tanta coisa em comum com o que li.
Ou seja.
Apesar de tudo, os meninos são pra lá de normais.
E sadios e bons e cada dia mais legais.
Eu devo ter feito alguma coisa muito boa na vida para merecê-los assim.
Vixe
Eu me estapeei com ele meses na faculdade.
Parava e voltava.
E consegui terminar.
E gostar.
Leopoldo, meu filho, parabéns.

Devidamente editada, sem a pedra e o "amor é o segredo da vida"
Só papel velho mesmo.
A mesma bagunça de sempre.
Enquanto isso,

"É igualzinho ao Carnaval, só que com músicas melhores".
Não fui eu quem disse.
Mas é o que parece.
Eu chamo de 'síndrome da micareta': juntou cinco negos, é festa.

Totalitarismo ainda existe.
E sempre.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, a gente acompanha em tempo real (obrigada, amiga) o que acontece 'de fato'.
Incrível a velocidade das informações em blogs, microblogs, sms etc.
***
Falando em SMS, minha caixa postal do celular finalmente desentalou.
Foi-se a orelhinha e, com ela, a mensagem do além.
Só para entrar outra mensagem do além.
Vou me conformar apenas.
***
Se tudo der errado, vou criar cães.
Já tenho aqui os nomes dos bonitinhos.
Librada, Shirlene, Paljakka, Arudytex, Rowena, Omland, Herlinda, Tomasa, Bonlanle, Belden e Njli.
Fico imaginando o caseiro dando chamando Njli para dar a ração.
São os spammers a serviço da criatividade.
***
Boa conversa com o tal gerente do banco.
Aquele banco que, além de querer me cobrar um pacote de serviços abusivo, ainda tem a cara de pau de cobrar serviços por fora dele. Até os que já estariam incluídos.
Como a dor de cabeça ontem determinou o dia - e o humor -, fiquei em poucos decibeis.
Ele prometeu estornar o valor indevidamente debitado e "vai estar verificando essas cobranças por fora, o aumento, o pacote".
Vai estar me retornando em poucos dias.
E eu vou estar esperando.
- Não aconselho à senhora cancelar o pacote de vantagens.
- Não é vantajoso para mim. Pode cancelar.
- Não aconselho, senhora. Veja bem... (ihhhh...)
- Não quero seus conselhos. Quero que cancele, só isso.
- Veja bem...
- Olhe bem, não quero o pacote. Não me é útil.
- Mas veja bem, dona Maria (ihhh...).
- Olha só, Fábio...
- Renato.
- Ah, pois é, meu nome também não é Maria. Nem Johnny.
- Como?
***
- Bom dia, senhora, aqui é M*** da Legião da Boa Vontade.
- Senhora, desculpe, mas estou em boa vontade hoje.
***
Quanto à tv a cabo, desisti.
Não vejo tv mesmo.
O que interessa é o pacote PPV com o futebol da matilha lá na sala.
***
Dia de dor de cabeça e maratona tradutória, a diarista vem - muito sem jeito - pedir um aumento por causa da passagem.
Morta de vergonha, torce os dedos.
Olho aquela moça tão doce que me faz brigadeiro às quartas quando sente que estou tristinha.
Que traz bolo de casa para os meninos.
Que entra no meu quarto com um pastel que acabou de fritar pro almoço, mas quer que eu coma quentinho.
Que esteve aqui, cuidando de tudo, fazendo pavê de côco para os meninos enquanto eu estudava em Paris.
Que sabe quando eu estou cansada mesmo quando estou sorrindo e faz de tudo para aliviar o meu peso.
Nada disso vale dinheiro, aumento, mais dez reais na diária.
É indecente um pobre pagar 15 reais de passagem para trabalhar.
Ou acordar as 4:40h para andar 40 minutos até o trem.
Está cansada.
Estamos todos.
Absorvo o custo feliz.
E agradeço esses três anos aqui.
E ter a boa vida que eu tenho.
Oi?
Assim mesmo como está escrito.
E uma fotinha (devidamente esquadrinhada e passada na água sanitária).
Já vou avisando ao povo pudico e tal.
Vou dar um longo espaço para que você saia do post antes de ver a fotinha.

Fofo, né não?
Isso depois de trabalhar o dia inteirinho com uma dor de cabeça dos infernos, consequência do pescocito e do ombrito que 'demandam' férias.
Thanks to Dr. Ben Gay - sim, ele mesmo, o incomparável criador do gel Bengay para pescocitos e dores musculares em geral - vou sobrevivendo.
Eu ia escrever sobre o lance no Irã. Barbaridade.
Uma amiga me mandou uns links e acompanhei um pouco em tempo real, vi fotos, li relatos de quem está ali dentro na fogueira.
Mas hoje não vai dar. A dor está levando o pouco que resta do meu bom humor.
Nem a ida à superpadaria que abriu aqui na esquina me animou.
E olha que comprei focaccia, brioches de queijo, croissants napolitanos e de chocolate e pãezinhos franceses de farinha integral.
A padaria é a morada do demo milionário. Nunca vi um pão tão caro. E tão maravilhoso.
Outro dia entrei e tinha sardella. Os olhos da cara.
Putz, dou uma unha por um punhado de sardella. Comprei mesmo, sem dó nem piedade.
Eu mereço.
Depois desse spam aí, da dor de cabeça e do ritmo de trabalho de hoje, merecia que me dessem paõzinho com sardella na boca.
Who knows?
***
Trouxe Mineirinho de viagem.
Quem tem mais de 40 e é brega como eu, sabe o que é Mineirinho.
Quem viveu férias de infância na casa da tia no interior, quem subiu em árvore e chapinhou os pés no riacho gelado atrás do quintal, sabe.
Sou louca por Mineirinho, confesso.
Vi na estrada e não resisti.
Vi quando cheguei e passei o fim de semana à base de Mineirinho.
Trouxe umas garrafas.
Que consumo como quem está bebendo um chianti.
***
Dear lord, é este mês que o caveirão se vai.
E vou sentir falta dos anos divertidos dentro dele.
Herança bem-vinda.
Mas ele se vai. Por necessidade mesmo.
Orgulhoso, imponente, com um leve arranhão branco na lateral - culpa do meu vizinho manobrando na garagem.
Vou tirar fotos dele antes.
Lembrar das viagens, dos barcos na capota, da mala cheia de tralhas, de tanta coisa boa que vivi nele.
De um dos momentos mais especiais da minha vida.
Quando, depois de longo e tenebroso período, ganhei um lindo presente acompanhado de uma emocionada declaração de amor dentro dele, na garagem, e perdi o fôlego.
Pelo presente e pela declaração apaixonada então.
Não digo o que vem.
É bonitim, ajeitado, simples, básico.
Porque carro é para levar daqui até ali.
Sei que vai ter musiquinha para ele.
E o apelido já é certo - Stefhany.
Assim mesmo. Com fh.
Dias assim
Não tem dia em que você acorda assim?
Atrasada.
E com dor de cabeça pelo pescoço travado.
Cadê a girafa?
The day before

Ontem, pós-dia dos namorados, restô lotado, todo mundo resolveu comer a mesma coisa no mesmo lugar.
Gosto de ver as pessoas entrando, os casais e como se 'formam'.
O fortinho atarracado com pinta de shake de proteínas + academia todos os dias com a moça invariavelmente girafa, de saltão, cabelo escorrido, quase sempre loiro.
Os casais mais velhos, sem a ansiedade de parecer, sem joguinho de cena, sem jogo de xadrez e pestanas batendo. São mais tranquilos, têm a sabedoria do estar, do permanecer.
Tinha a moça na minha frente, jovem ainda, apresentando o namorado aos pais, coisa firme, me pareceu. O cara fez NYU, deu pra ouvir. Os pais simples, aparência, jeito e fala de gente humilde e sem frescuras, nem ela, nem o sujeito, não obstante o NYU. Pediram vinho, coisa de cerimônia, ele tentando agradar os futuros sogros, mas sogrão não se deu por certo e foi de chope. Gosto de gente assim, que é o que é.
Casal ao lado, a mãe sentada com a filha e o marido do outro lado da mesa, resignado, olhando suas duas peruinhas - vestidas e-xa-ta-men-te do mesmo jeito, apesar dos quarenta anos que as separavam. Muito olho preto de lápis, vestidos curtos fingindo não sentir frio, cabelos chapinhados e sorrisos de plástico. Meu, como as pessoas de plástico são felizes!
Quanto a mim, a mais tranquila das noites.
Sem cheiro de plástico, pó de arroz e ácaro.
***
Adivinhem quem não apareceu de novo?
É.
The cable guy.
Amanhã é dia.
***
Justo quando resolvi vender o caveirão, batem nele.
Pobre tem um azar do cão mesmo.
Bz
Não sei se como sem fome, trabalho sem vontade ou me jogo de volta na cama.
Essa indecisão é o que mata.
***
Banco simpático (?) manda cartinha simpática (?) avisando que vai aumentar meu pacote de benefícios. Aumentar o valor, claro, não os benefícios. Um absurdo por mês. Faço a conta e vejo o absurdo maior em um ano.
Nas letrinhas miúdas e simpáticas, dizem que agora passarão a cobrar pelo envio de talão de cheques.
Oi?
Já me reputeci e as unhas fizeram 'rec' pra fora.
Não contentes, me debitaram da conta o simpático valor de dois reais e pouco porque, oh, cometi o desatino de tirar um extrato no terminal.
Opa.
Mas isto estava previsto no meu pacote de benefícios de acordo com as simpáticas letrinhas miúdas. Não me cobrariam extrato, doc e outras mariolas.
E as unhas fizeram rec e pow.
Segunda é dia de gastar uma hora do meu precioso tempo, uns minutos da minha beleza, palavras doces e gentis ao gerente para dizer, "então, cancela".
Ou me dá a mariola, ou então cancela.
***
Operadora de tv a cabo super simpática (?) me dá o cano quatro, repetindo, quatro vezes num mês.
Isto porque a madama aqui quer 'adquirir' um serviço, hein?
Dizem que vêm, marcam hora, a palhaça fica aqui esperando e não só não aparecem como não dão nenhuma satisfação. sei lá, uma dor de barriga, uma avó que morreu, o cachorro que comeu a chave da van.
Ligo enfurecida.
Quero falar com o ombudsman (cara, adoro falar com eles!).
"Ele não está disponível".
Oi?
Dou um piti, tenho mil siricuticos e me descabelo inteira.
Os caras nem piscam; simplesmente cagam e andam pra mim.
Então, cancela.
E a linha cai.
Gente, não é um mimo ser tratada assim.
Deito falação em carta malcriada na internet.
Falo feito a preta do leite.
Uma agressividade só, meu, barraco puro.
Resposta?
Neca.
É.
Vou eu tratar meus clientes assim...
***
Here: No fundo são todos meninos buscando recuperar o amor materno.
There: Ouch!
***
There: então, dois dias, olha só, dois dias depois do casamento, em plena lua de mel, ela acorda de madrugada e pega o desinfeliz no notebook conversando com a amante.
Here: Cê tá de sacanagem!
There: Te juro. Deu dó. Mó paraíso, sol, praia, a menina é aquela flor que você conhece, linda, inteligente, boa gente pra caramba. Oito anos, né? Oito anos juntos e agora...
Here: Na lua de mel. 48 horas depois? Olha, vou te contar, eu capava o sujeito!
There: Que nada! Ela pegou os cartões enquanto ele fingia que chorava no banheiro jurando amor eterno e nunca mais vou fazer, arrumou as malas e tá lá, fia, voo direto, sem escalas, torrando tudo no Printemps!
Here: Fez bem!
There: E a descrença na raça humana só agigantando...
Here: Só.
***
o primeiro, à esquerda
meu gatinho
que sabe viver
Empty nest
Arrume as malas direito, seja educado, ajude na casa, cuide-se bem, divirta-se e faça o seu melhor. Nada mais a fazer.
Sacudir o anjo da guarda, entregar-lhe foto e RG do caçula, pagar-lhe plantão, bônus, horas-extras, férias, abono, décimo-terceiro, décimo-quarto, auxílio moradia, adicional de insalubridade, todos os respectivos tickets transporte e alimentação.
Eu que não arrumo mala de guri já tem aí uns cinco anos fico dando meus pitacos por trás do livro com cara de folha de compensado: ó, não esquece uma roupa quente pra dormir; a bolsinha de remédios que está no armário da cozinha já pronta; leva tênis velho; olha o gorro pra velejar no frio; leva um casaco mais fino pra sair de manhã e um grosso para depois das regatas; vê se não fica tomando vento frio com o corpo molhado à toa; cuidado com o seu material...
Eu não me emendo mesmo. Vão ter quarenta anos e, se bobear, estou eu no telefone, ligando pra saber assim, tipo, nada, mas vou lembrar que levem o tal pijama quente para a noite.
Claro que não sou besta de inspecionar nada depois de feito, mas tenho um aprendiz que saiu melhor que a matriz. Às nove da manhã, antes de sair para a faculdade, chega na cozinha e me diz:
- Ó, o Gu esqueceu o gorro na bancada. Melhor ele levar.
Achei fofo. Um irmão ado se preocupar com o outro irmão recém-ado é coisa muito cuti-cuti mesmo.
Olhando assim como quem não quer nada, percebo a tal bolsinha de remédios num canto da sala. Hum. É, esqueceu mesmo. Taco o gorro na mochila, ponho a bolsinha de remédios estrategicamente em cima da mala já pronta na sala e saio como se tivesse cometido um crime.
Ó, céus, mas um pé de havaianas num canto do quarto? Claro, o outro pé jazia solitário numa bolsa lateral da mala. Meu filho, o saci. Enfio o pé solto na bolsa lateral e saio correndo, morta de medo de ser pega por uma porta da frente abrindo.
Será que uns pedaços de bolo embrulhados em papel alumínio, dentro de um saquinho fosco bem no fundo da mochila pegava mal? Ou, quem sabe, uma inspeção final no necessaire (é, o pobrezinho tem uma...) pra ver se tem filtro solar suficiente? Uma recarga extra no celular? E a pasta de dente? Será que acaba no meio da viagem? Onde está o carregador?
É assim. Essa pobre criatura que hoje se levanta no meio da madrugada insone para recolher as orquídeas da varanda no meio do vendaval. Foi no que deu.
(Será que lembrou de levar cuecas e meias?)
The look of love
A máquina e o celular não estavam por perto, porque eu desejaria ter registrado aquele olhar – coisa de poucos segundos -, colocado numa bela moldura e dado de presente aos dois.
Foi o presente que quis dar e não pude. Mas foi o presente que recebi ao testemunhar aquele olhar – inesperado e caro.
Era a coisa mais embevecida e terna do mundo. Fiquei ali, eu, testemunha daquilo, sem ousar fazer leitura labial porque pouco me interessava o que diziam baixinho um para o outro. Me fixei no olhar. Me fixei no que transitava entre aqueles olhos.
Olhar de quem estava feliz pelo outro, jamais para o outro. Olhar de quem era grata por um momento, mais um, de felicidade juntos. Olhar de um, que via um dos melhores momentos da vida do seu ‘objeto do afeto’, da mulher da sua vida, do presente com que mereceu topar um dia, e sentia-se feliz, sorria pelos cantos, os olhos brilhando.
E ali, naquele momento, pedi aos céus, aos deuses, aos anjos, que os mantivessem assim. Que guardasse aquele olhar dos males deste mundo. Que fizesse com que eles lembrassem todos os dias de se olhar assim. Que aquele brilho, aquela centelha, aquela ternura jamais os abandonasse. Que eles fechassem os ângulos em torno daquele olhar. Que o colocassem numa espécie de redoma, cofre, fechado na retina, na memória, no amor o que trocaram com aquele olhar.
Não foi o beijo que se seguiu. Não foram as palavras que não ouvi. Foi bem mais que isso – foi um dar as mãos sem sequer se tocarem.
Que nada neste mundo estrague isso. Que seja real; jamais fantasia. Que seja todos os dias lindo como foi naqueles poucos segundos.
Inveja? Não. Nunca. É outra coisa. Para mim, foi só ver e sorrir. Eu sei por quê.
The dream handbag
"Fazia listas para si mesma. Quatro, cinco coisas que nunca cumpria. Ficavam ali, olhando para ela, como se lhe desafiassem a competência. Ela, que sempre fora eficiente, a das roupas bem passadas, o tapete bem aspirado, as toalhas mais brancas, os filhos perfeitos como príncipes escandinavos. Sua coleção de pesos de papel, corujas e botões antigos. Bilhetes espalhados pela casa lembravam aos outros o que os outros também não fariam. As ausências eram lembradas, as dores eram amenizadas e as fomes, alimentadas.
Uma vez por ano ela saía sozinha. Assim, religiosamente. Nem mais, nem menos – uma vez por ano. Pegava um navio, invariavelmente um cruzeiro, desligava-se dela e criava a personagem do ano. Foi fotógrafa, médica, pintora, professora de MBA, costureira e estudante de teologia. Sempre carregando os blocos onde fazia listas para si mesma.
"Hoje é assim, amanhã é ali, depois de amanhã eu volto.”
Descia a ponte na volta com uma estranha sensação de vida. Entrava no carro, dirigia até a casa, organizava armários, rearrumava as plantas e esticava todos os lençóis. Religiosamente, voltava para sua rotina como a Elisa de sempre – bonitinha, boazinha, correta, ética, amável.
Até seu ritual de existência ser atravessado por uma britadeira no concreto. Foi quando ela percebeu que a única saída que restava era meter-se naquela trincheira e esperar o barulho silenciar. Bem no meio da rua, cortada pela avenida, ela se deu conta do que vivera e do que havia a morrer."
(Metrópole)
***
Azar.
Me apaixonei por uma bolsa.
E nem é "coisa de mulherzinha", porque há anos procuro a bolsa perfeita e não acho.
Uma que caiba a minha 'existência' diária e que não seja um trambolho horroroso.
Daí, achei.
Claro que não vende aqui.
Sou chata e cri-cri, além de obstinada, e entrei no site da fábrica.
Peguei o contato, mandei um e-mail para a Alemanha e, pasma, vi chegar resposta super amável exatos 10 minutos depois.
A moça, educadíssima, agradece o interesse, mas infelizmente não fazem vendas online no momento.
E então preciso de alguém na rabiola do mundo que me faça a gentileza de comprar e enviar a bolsa para o Brasil.
Não, eu não sou fácil.
***
Here: Há um ano estou lendo o livro.
There: Mas um ano??? Não desistiu ainda por quê?
Here: Nem eu sei, mas continuo insistindo, o livro é bom.
There: Difícil? Denso? É sobre o quê?
Here: Sexualidade feminina... Quando começa a falar de Lacan, me dá um sono do cão. E Freud? Cara, Freud era um cara muito doido, pancadão mesmo.
There: E vai continuar?
Here: Ah, vou. Pode ser que no final eu tenha uma revelação qualquer, vai saber?
There: Huahuahuahuahua. Sobre a sexualidade feminina? E você acha que um dia vai ser possível entender as mulheres?
Here: Ué? Eu me entendo perfeitamente!
There: Eu, depois de três, desisti de entender.
Here: É, eu sei. É o que vocês fazem, e sabem fazer muito bem: desistir.
***
Semana curta e muito trabalho.
Diversão, só quinta e sexta.
***
Eu também não.
Não consigo achar a menor graça em saber que do outro lado do mundo alguém, naquele exato momento, está comendo um donnut. Ou saiu para a ginástica.
Entrementes II
Frio tá bom, mas vento é mortal. Vira tudo menos alguma coisa.
Dia lindo, pastel de camarão à beira-mar, bom papo e tal, mas de noite eu estava imprestável. Não servia nem de companhia. Só queria ficar enrodilhada num canto quieta. Sensação estranha de febre, mas não era.
Preguiça da boa, é isso.
***
Fico pensando que deve ser medonho perder alguém e não encontrar jamais. Perder para sempre, o tal nunca mais. Perder num mar sem fim, no meio do nada,não saber mais, não ter dito, não ter ouvido. Não ter.
Eu tive essa sensação um dia.
Só que sem a morte física para acompanhar.
Não é bom.
Aliás, não foi.
Um objeto prosaico, como a mochila da filha, vira a única coisa que resta de alguém tão importante. Um laptop, uma carteira, um relógio de pulso. E a sua pessoa querida, o seu significant other, está ali, inserido, imprinted num objeto. É o que resta a ver e a tocar.
Não deve ser mole.
O nunca mais nunca é.
***
Fui visitar ontem à tarde um lugar chamado Bromélia Linda.
E, pasmem, saí sem uma mudinha sequer.
Neca.
Se bem que estou de olho numa roxinha aqui do jardim do W.
W., aliás, contou uma história genial ontem.
O dia em que encheu o saco de outrem, ergueu um muro.
Tipo muro mesmo, físico, concreto e tal.
Você imagina um dia chegar em casa e ter um muro entre o seu espaço e o do outro?
Não é genial?
E eu achando que era esperta com o meu cone de trânsito...
Entrementes
Maldito jornal que botaram na minha frente na hora do café -- ai, o café com o pão integral feito pelo F. e o bolo de chocolate do W., os cães em volta, aqueles, os que sempre lembram quando eu abro o portão, os que ficam enrodilhados nos meus pés disputando carinhos.
Mas o jornal.
Bem no jardim do Eden me põem um jornal na frente!
Eu leio as desgraças alheias como se estivesse em outro planeta. Viro as páginas e me pergunto, "o que vocês esperam que eu sinta disso tudo?"
Sei lá, ainda acho este um mundo estranho. As pessoas são estranhas, muitas doentes até, outras sempre em busca de soluções impossíveis, umas ainda com esperança.
Eu não tenho muita. Me tornei meio cética, incrédula, nem sei bem qual adjetivo se aplica melhor a mim, mas é por aí. Vai ver cansei. Ou estou em férias emocionais. Vai ver. Acho que é o que acaba acontecendo no fim das contas com gente como eu.
Agradeço então o trabalho, o pão, o bolo, sobretudo o espaço onde posso ficar do jeito que eu quiser. O barulho da água, meus dedos ágeis no teclado, a perspectiva de ums sopa de agrião à noite com bom vinho e bom papo, o presente da amiga e os cães, o amor incondicional que só os animais entendem.
***
Here: ... e Deus criou Adão e Eva, e logo em seguida criou o leite condensado.
There: E coca-cola!
Everywhere: E vodka!!!!
Here: Pô, você estragou tudo assim...
***
Ah, os ignorantes, os pobres de espírito, os fracos, os temerosos - os felizes!
***
No divã
Coisa mais estranha o que sonhei esta noite.
Eu e os meus - ou seja, um bandão assim, ó, de gente - passeando por Paris, virando esquina, olhando tanta belezura, um dia lindo, risos, tudo perfeito.
Não esivéssemos nós uma jangada de pedra.
É isso mesmo: uma jangada de pedra. Ali, pelas ruas de Paris.
De onde eu tiro essas coisas, eu não tenho a mínima ideia.
Não tô dizendo?
Nursery
“You have been my friend. That in itself is a tremendous thing... By helping you, perhaps I was trying to lift up my life a trifle. Heaven knows anyone's life can stand a little of that."
Charlotte, "Charlotte's Web"”
(E. B. White)
***
Da varanda
Lavandas que gostam de frio
Alfazemas crescendo
A trepadeira de flores amarelas e a mudinha de maria-sem-vergonha ganhando força.
Trevos franceses totalmente aclimatados – no verão, eles dão uma florzinha branca linda
A flor #mimimi: não gosta de sol, não gosta de correntes de ar, não gosta de água nas folhas e nas flores e reclama se o suprimento de água em 24h não é o ideal
Orquídeas em recuperação anual
O jasmim estrela é tímido. Estava sem flores e não quis aparecer para fotos.
Wired
Esta é a minha situação: uma bolsa cheia de fios.
Wired I am.
Tem cabo ali que nem lembro para o que serve ou do que é.
2 iPods, Palm, celular, eReader, 2 câmeras digitais, 1 porta retratos digital, netbook, dicionário eletrônico.
Saudades do papel.
Ou não.
***
A casa cheira a xarope de mel e agrião, vick, rinosoro, spray de própolis e gengibre.
Meninos na base do "dão" e "dô belhor, bãe".
Sinfonia de tosse e espirros.
Vão sobreviver.
***
From the press
Amiga preocupada escreve logo cedo dizendo que leu uma notinha numa coluna de jornal
- "Barraco no Shopping" - que relata briga de duas mulheres, cabelos sendo puxados, uma gritando "vaca", a outra respondendo "vagabunda".
E no final, ela pergunta:
"Pergunta que não quer calar: uma delas era você??????"
Putz! Era, não, fia.
Mas bem podia.
Tanto a que gritava "vaca" quanto a que gritava "vagabunda".
O perigo, você sabe, são meus cabelos.
Se garrar unhas de madame neles, periga de não desgarrar nunca mais.
Cabelo ruim, cabelo ruim...
Por enquanto - mas só por enquanto - é delicadamente "dona burra".
Porque eu sou educadinha.
Now, fair and 15° C
Eu já sou uma criatura feliz quando o mercúrio cai a 20 graus. Nada acima de 24 graus é possível para mim. Trabalho, exercício, amor, cozinha, estudo - um martírio. Eu sei que minha boa amiga do mato uma hora dessas tá me xingando porque deve estar enrolada num cobertor a 9 graus lendo isso aqui, mas, vai, santa, a vida não fica mais bela?
Pena só os passarinhos terem sumido. Os biguás não passam mais às seis, as ararinhas não saem mais às sete gritando em alvoroço, as flores da varanda estão encolhidinhas de dar dó e, juro, ontem de manhã tinha um urubu imeeeenso pousado no ninho dos gaviões no prédio em frente. Estava com cara de maus amigos.
Assunto quente no capítulo novo da tradução - sexualidade dos adolescentes - e nem chega a ser novidade, mas cada parágrafo é um arrepio constante. De medo, que fique bem claro. Fora isso, neca de TV, neca de leitura, neca de ler quem está dizendo o quê. Só uma saudade imensa de vestir quatro camadas de roupas, ceroulas térmicas, mantô de lã, gorro e luvas. De como era engraçado me atrapalhar um dia inteiro com o velcro da capa da câmera grudando nas minhas luvas; saudade do chocolat chaud do Angelina, de fazer fumaça quando falava, de ficar horas em frente a um presépio de igreja só porque tinha um aquecedor ali; de andar como gueixa japonesa tentando não me espatifar no chão coberto de neve. Aquilo ali, sim, que era vida!
Como diria meu filho, "francês é culto e vive dentro de museu porque lá dentro é quentinho". É uma teoria. Bem válida, por sinal.
De resto, é enfiar a cara no trabalho e bolar uma boa sopa pro jantar.
***
Enquanto o presidente da França e a primeira dama se desdobram para dar apoio às famílias de cidadãos franceses mortos no acidente aéreo, nosso efelentífimo faz declarações infelizes em Guatelama e manda seu vice-presidente - um homem que acabara de chegar de uma rodada de quimioterapia, cansado, abatido, enfraquecido - ao Rio. A primeira dama? Ninguém sabe, ninguém viu.
Mas o de lá é que é besta, e a moça será sempre lembrada como ex-modelo e cantora medíocre, para ficarmos no terreno dos adjetivos generosos. Bom é isso aqui, né não?
nothing beats um fogo amigo
***
My thoughts go along with you, my friend.
Adieu
Decidi voltar a estudar, frequentar curso “formal” depois de tantos anos sem o cheiro da sala de aula e do giz branco. Meti a cara, esquematizei tudo e fui à luta. Me dediquei ao máximo, fiz o melhor possível e tive ótimos resultados de tudo. Foi sem dúvida uma experiência maravilhosa, riquíssima, completa. Hoje, infelizmente, rendo-me à falta de tempo e deixo a sala de aula para quem o tem, ou para quem consegue administrá-lo com maestria. Eu não consigo mais. Já consegui e foi-se o tempo disso.
Deixei em algum canto entre esses nove mil quilômetros percorridos a capa vermelha e o sonho de mulher maravilha. Coisa que não percebo mais. Ou não persigo mais. Sou, sim, hoje alguém incompetente em time management, pra ficar menos dolorosa a frase. Felizmente ou não, é momento de cuidar melhor de mim fisicamente e tentar, ao menos tentar, garota, me cuidar ... hum ... intelectualmente sozinha. Ok, vamos tentar a viagem de autodidata. Tanta gente conseguiu, tanta gente consegue; meu pai foi um.
Deixo a sala de aula triste, principalmente pelos motivos que me levam a deixá-la – incompetência minha, vamos lá, é preciso admitir. Não tenho mais tempo de estudar com horário e turma. Não tenho mais tempo de ler tanta coisa. O trabalho consome cada vez mais tempo em esforço, pesquisa e necessidade de aperfeiçoamento, o que significa uma atividade cada vez mais solitária. Paciência. Tudo tem seu tempo. O meu foi lá. Foi onde tentei algo novo, fazer dar certo um pedaço de sonho e expectativa, mas, infelizmente, ao voltar, vi o quanto estava enganada (não, John, não vou dizer “errada” porque você diz que não é certo, ok?).
E, na verdade, fica a imagem legal do diploma que olhei ainda ontem e guardei na pasta de documentos, assim como a emblemática devolução do mantô de lã de madame croissant. Dar continuidade a isso aqui é difícil. Voltar, no momento, impossível – até para mim, que nunca julguei nada impossível. Mas estou ficando velha, cansada e hostil a certas coisas. Menos apegada, mais conformada, talvez. Aprendi os ‘nãos’ necessários e acabo de me dizer um.
Ficam para trás as apostilas, os livros, os cadernos, que farão companhia à moça de brilho nos olhos, alegria de viver incondicional e credulidade irrestrita em coisas e gentes.
Aos meus colegas só posso agradecer o convívio maravilhoso e a amizade gostosa que fizemos ao longo desse tempo. À minha professora – que costumava dizer que eu era a alegria da classe – só posso agradecer por ter acreditado na minha tentativa de aprender. Não vou dizer que “ó, galera, eu volto um dia”, nem que não volto mais. Aprendi, talvez de uma maneira meio traumática, a olhar no máximo até amanhã de manhã e olhe lá. Depois que você perde certezas, ou que passa pelo momento de se olhar no espelho e se perguntar “what the fuck?”, tudo passa a ser no máximo até amanhã de manhã.
Gerenciar a pequena empresa que é a minha vida, sabendo onde vou encontrar as coisas e em que gaveta guardei o quê, é imperativo no momento. Talvez caminhar um pouco mais, suar, deixar vir aos poros e, quem sabe, dia desses estar espirrando pó de giz novamente e correndo no dicionário para saber o que foi mesmo que a prof disse.
É só um ‘até daqui a pouco’, eu espero. Mas que seja melhor, não é?
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Por ironia, a sorte de hoje era: “Nunca desestimule alguém que evolui, não importa quão lenta seja a evolução.”
Voilá!
Extra
A gente acorda de manhã e dá de cara com as manchetes.
Como aqui.
Esta afirma na rede, há alguns dias, que “professores TEM menos escolaridade que alunos.
Pô, faz um sentido danado.
E as cotas continuam se espalhando por aí.
Ok. Entendi.Ao ensino fundamental cabem escolas caindo aos pedaços, material inadequado, professores despreparados e uma falta de interesse generalizada.
Ao ensino superior cabe o assistencialismo burro, demagogia - venha, pegue o seu canudo. Ou o abandono das faculdades estaduais, a exemplo do que ocorre no meu estado.
Aí vem a claque e grita "fica".
O que não se faz por uma mariola, uma camiseta e derreal...
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Toma-se um acidente como esse de ontem e temos a impressão de que o jornalismo brasileiro está americanizado.
Todo mundo "acha". Os âncoras agora "acham".
(E sempre que falam em âncoras a minha imagem mental é do sujeiro de terno, gravata, cabelo pastinha e uma âncora prendendo o pobre na cadeira.)
Essa coisa de repórter comentar notícia é uma coisa engraçada.
Ontem foi nítido que tiraram uma jornalista da bancada depois de tanto "achismo" sobre o acidente. A moça achou tudo. Acabou tomando café no intervalo.
BTW, se me enfiassem um microfone na cara na hora da minha pior dor na vida, ia ser uma beleza eu dar um bom destino para ele em cadeia nacional, ao vivo, em cores. Difícil respeitar a dor dos outros. Sempre foi. Sempre será.
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Trabalho bombando, entrega para hoje, no time to chat.
Eu queria o dia de 36 horas do restante dos mortais.
Voar é com os pássaros
Foi nesse voo que perdi o medo de voar. Já falei sobre isto aqui mesmo.
Chato mesmo é o povo em comunidades virtuais fazendo piadinha.
Gente do céu! Vamos trabalhar, hein?
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Dia perfeito.
Venta uuuuuuuu e chove.
Faz frio.
Não sei quantos Kss de tradução a fazer.
Não preciso sair hoje.
E mesmo que precisasse.
É dia de calças largas, camisetão e começar minha semana sabendo que no fim dela dou um rolé no Eden de W.
Adoro. Amo.
É, eu não sou muito normal mesmo.
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Vamos lá, já vai virar o semestre. Primeiro dia do mês seis.
Parece que foi ontem.
Eu que planejava voltar à academia hoje, caminhar na Urca pela manhã e me entupir de salada e frango, me contento em enfiar a minha viola no saco e trabalhar.
Daí, um suflê de queijo. E polpetas.
Eu mereço.
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maio/2009
