Hollow in
Mas, então, o aeroporto hoje. Abraços gostosos, saudade desfeita, histórias contadas no carro, o vento gostoso trazendo o cheiro da grama recém-cortada. Palavras em italiano, presentes. E meu celular toca. Cedo, hum? Do outro lado, minha madrinha – nervosa, chorosa, assustada – pergunta onde estou e pede que eu vá logo. “Sua mãe está passando mal, ligou para mim (ela mora na rua ao lado) e eu vim.” Mas mal como? Mal. Segundo ela, muito mal. Engoli em seco e emudeci no carro. Não disse uma palavra. Só ouvia os nomes das cidades, os monumentos, os museus. E via o mar de carros parando na linha vermelha. E as mãos gelando, o nó no estômago. “Faz isso, não. Faz isso, não...” Como se um tijolo batesse na minha testa, lembrei que, exatamente neste dia, neste mesmo dia dois anos atrás, eu internava minha mãe, grave, numa UTI. E ela só sairia do hospital 20 dias depois, magrinha, fraca, depois de lutar como uma leoa contra um bicho que se instalou dentro dela. Na saída da Lagoa, mais um toque. Ela pedira uma ambulância que não seria mandada e decidiu enfiar mamãe num táxi e levar para o hospital. Precisava de ajuda para carregá-la. E estava cada vez mais agoniada. Dividi minha aflição, enfim, e logo chegaríamos lá, para encontrá-la na cama, tremendo como se estivesse numa convulsão, gelada, chorando, a pressão nos píncaros, ânsias, dor, pânico. Chorou muito, não conseguia dizer o que sentia além do medo de morrer ali sozinha. Era um quadro nitidamente “simpático”. Medicada, acalmada, abraçada, em 15 minutos estava melhor, com outra cor, sem tremedeira. Mas eu? Como que atropelada por um caminhão.
Me dei conta de que mamãe está velhinha. Muito velhinha. E frágil, fragilizada (que é diferente), sensível, carente, insegura. É uma outra mãe. É uma outra pessoa. Bem diferente da que convivi 40 e poucos anos da minha vida. De quem fui filha e de quem hoje sou mãe. E não é fácil me dar conta disso. Perdi uma irmã, perdi meu pai, perdi a fé – agora, perder a mãe? É nessas horas que vemos o quanto não estamos preparados para isso. O quanto somos criancinhas, menininhas, bebezinhos ante à possibilidade de ver a mãe indo embora um pouquinho a cada dia. Não tem como lidar com isso. Não são 2 horas semanais de terapia, nem as 21 gotas de florais de Bach diárias, nem a jardinagem como terapia. Muito menos a aceitação, a conformidade como um ‘fato de vida”. Não, não é.
Fiz chá, brinquei um pouco para desanuviar o clima, desviei o meu olhar dos olhares assustados e, por fim, pus os óculos escuros.
I am numb.
Eu sei o que é. Mas não sei como vai ser. E não tenho sequer coragem de pensar.
Amarga, eu? Não. Foi só o sprite limão lavando o curry que eu comi ontem, digerindo os grumos de babaquice que venho lendo/ouvindo/sabendo ultimamente. Alguém denunciou o meu blog. É, este aqui mesmo que vos fala. Você não acredita? Tá até agora catando o queixo lá no chão? Pois eu não. Tipo, hoje que sou oficialmente uma des-iludida, acredito em tudo mesmo. Brincadeira de moleque? Trote como tantos outros? Falta do que fazer na vie de mérde regada e sustentada com uma gorda pensão de estatal? O botox escapou para os poucos neurônios? O implante de silicone vazou e inundou células importantes? You bet. Só lembro da minha mãe no dia em que mandou uma empregada embora e a moça voltou dias depois e espalhou um "pó de macumba" vermelhão na porta da nossa casa. E mom, uma lady, pisando e esfregando os pezinhos naquela massa vermelha que levou dias para ser eliminada do piso de cerâmica, dizendo, "ó aqui, ó, o que eu faço com a sua macumba!" Tipo a mesma coisa. Eu tô tão cheia de trabalho, cagraça do divino, um texto assim tão maravilhoso, tô quase magra, analisada, bem-hidratada, bem-nutrida, bem-bem aqui, neste cafofo, aqui mesmo, digo, nesta página. Que é minha. A minha casa. O meu canto. A minha cama de seis travesseiros. Onde posso babar na fronha o quanto eu quiser. Quero ver este ano pelas costas? Nem. Falei isso num ano e o seguinte conseguiu ser pior. Ou seja, virou e mexeu, e eu aprendi a viver com os ciclos da vida, as marés, os ventos e as pessoas como elas são. Não adianta remar contra, nadar contra. Perda de tempo. E eu o-dei-o perder tempo. Não o perco com o que não vale a pena, até porque no que vale a pena eu invisto cada segundo da minha existência, cada célula do meu corpo, cada centavo que ganho, cada gotinha de suor. Posso fazer da minha, da sua, da nossa existência um paraíso ou um inferno. Da minha prefiro fazer o caminho do meio, vocês sabem, não acredito nessas coisas de 'só direita ou esquerda'. Já perdi o medo de morrer faz tempo. Já vi o coelhinho da páscoa e entreguei carta na mão de papai noel pessoalmente. Já vi de tudo um pouco e acredito que ainda verei mais, muito mais. O melhor e o pior. Pro bem e pro mal. Por isso mostro a minha cara, falo as minhas palavras, escrevo, escrevo, escrevo. Eu perdi a fé, mas não me perdi. Ainda. Então, concluindo, deixo aqui a minha pérola de sabedoria, um momento de reflexão, a mais elevada filosofia: não há dinheiro mais bem empregado do que num bom analista, numa viagem fantástica e numa boa garrafa de vinho. Assim mesmo, nessa ordem. O resto, darling e darlings, é pura vaidade.

do savage chickens
sempre genial
Exactly my point: cada vez mais me convenço de que não existe vida inteligente na Terra.
Ou pelo menos aquilo que eu considero realmente "inteligência".
***
Uma sábia alma - e genialmente inteligente - sempre me diz:
"você se julga esperto?
olhe pro lado e vai ter sempre alguém mais esperto do que você"
E minha mãe completa:
"acredita em macumba quem quer"
***
Eu acho que deu pra entender.
Mas eu posso desenhar.
E dizem que é só na cidade maravilhosa...
Lá também tem.
Evil is everywhere.
***
Coisa mais maravilhosa do mundo traduzir a história da pesquisa e da produção científica no Brasil e ver tanto talento e trabalho.
Em 1800 e coisinha, já pesquisavam a dengue e tinham soluções óbvias para combatê-la.
A mesma doença que hoje, século XXI na cidade maravilha e arredores, ainda assola a população que paga impostos.
Era mole: 100 paus de multa por cada aguinha em vasinho de planta.
Só vai resolver quando doer no bolso.
Esse trabalho que estou traduzindo é uma verdadeira aula de história.
Estou babando e amando.
Não consigo parar nem na hora de fechar minha quitanda aqui.
***
Pior não é enganar o outro.
Pior é enganar-se.
That's where evil begins.
Ok.
I won't.
***
Mó burrice levar a matilha pra jantar em restaurante bão.
Vou esperar mais uns anos até que a fome deles estabilize.
O maitre ficou horrorizado.
Os garçons, impressionados.
Eu, com um baita rombo na conta.
Comem que nem cavalos.
São uma draga.
Continuo com o meu velho sonho de consumo: abrir o pacote de 30 kg de Bonzo e jogar no meio da sala.
A cada 10 dias, supermercado online.
A cada 10 dias, um rombo.
Não há pão, frios, leite, queijo, frutas e cereais que cheguem.
É um queijo de minas por dia.
Um pirex de pavê de côco entre o almoço e o jantar.
E são magros os desgraçados.
Dois varapaus de barriga tanquinho escavada.
Humpf!
***
Nova tradução do dream client.
A produção científica no Brasil.
Delícia.
***
O CD da Monica Salmaso "Noite de gala, samba na rua" em que ela canta Chico é um desbunde.
Dei de presente para a minha irmã.
E tratei de afaná-lo, assim, na mão boba, no último fim de semana.
Quem mandou estar em Roma?
***
Foi o desabafo mais lúcido e honesto que já vi um pai fazer diante do drama que é ter um filho viciado, dependente de drogas e/ou álcool.
Geralmente, num caso desses, culpa-se o pai e a mãe. Não deram educação, não deram limites, não deram amor. Como se tudo, tudo na vida de um filho, todas as suas decisões e seus passos, dependessem de nós, estivessem necessariamente atrelados ao que fazemos, deixamos de fazer, somos ou deixamos de ser como pais.
É muito fácil. É muito cômodo. Botar a culpa em pai e mãe é mole. Elimina-se no livre arbítrio. Simples assim.
Numa coisa o pai está coberto de razão: dificilmente um adicto vai por vontade própria e com as próprias pernas para uma internação para desintoxicar-se e começar a livrar do vício. É um tratamento caro e demorado, eu diria até, em certos aspectos, vitalício. Que o estado não cobre e não provê.
Resta aos pais a opção e construir uma jaula em casa e fazer a 'terapia' com as próprias mãos, sem recursos, acompanhamento profissional e orientação. Sem apoio.
Eu honestamente não hesitaria em internar um filho à revelia dele. Para poupar esse tipo de sofrimento por que duas famílias estão passando agora. E o próprio sofrimento do rapaz. Às vezes nos cabe deixar que escolham. Às vezes precisamos fazer por eles - para eles.
***
Mês de dezembro se avizinhando e eu, como os patos em migração, vou para o sul.
Terra e mar em igual proporção.
Vinhedos e oceano.
***
Momento babação explícita, meu guri corre um estadual ao lado de homens experientes, campeões brasileiros, sulamericanos e mundiais.
São 46 galalaus na raia.
E ele cravou um nono e um décimo.
Na frente de alguns campeões, correndo de igual para igual, como se não tivesse 14 anos.
Abaixo do peso para a área vélica, barco de gente grande que exige técnica, maturidade e experiência, e ele não quer saber: parte pra cima mesmo.
Está com as mãos arrebentadas pela força para controlar a vela grande em ventos fortes como os desse fim de semana.
Mas feliz da vida.
E eu fico aqui cheia de orgulho.
Restaurante vazio, me aboleto na varanda, local reservado para fumantes, como indicam os cinzeiros e o pessoal baforando em paz.
Um nhoque de espinafre, uma taça de cabernet da casa (bom, barato, honesto), um copo d'água e um bom papo.
Quinze minutos depois, chega uma alegre (e grande) família. Mulheres. Todas. Umas cinco. E um menino de uns 4 ou 5 anos talvez. Que já chegou falando sem parar. E alto.
Claro, como pobre tem azar mesmo, a alegre (e barulhenta) família senta na mesa atrás da minha.
Oh, que alegria!
(Já disse que tenho problema com gentes?)
Eu comendo e o povo atrás falando. Sem parar um minuto. E alto. Sério, mal dava para ouvir o que eu dizia na minha própria mesa.
Eu estava atordoada.
A música, baixinha e agradável, era um CD do Baden, coisa linda de se ouvir, mas cadê que eu sequer identificava o que estava tocando?
Pior era o menino. Pobre criatura que passa por chata e inconveniente sem ter culpa. Porque com certeza ninguém ensinou a ele a falar mais baixo, a não exigir atenção o tempo todo, a não incomodar as pessoas à sua volta, ainda mais num ambiente público.
E o menino falava, guinchava, berrava, chamava a atenção de todos o tempo inteiro (literalmente, a cada cinco minutos, ele dizia: "ei, gente, olhem todos para mim, olhem!").
Eu discretamente (ok, nem tanto) olhei para trás por cima do meu ombro duas vezes. Só duas. Tipo, tá dificil, gentem!
E a pobre criança lá, verborreica e chata, a brincar com seus bonecos e apetrechos. Mas não bastava brincar na mesa. O povo todo tinha que olhar para ele, prestar atenção - era o que ele pedia constantemente.
E ninguém parecia se tocar que o menino estava perturbando as mesas em volta. Including me.
Mas bastou eu acender o primeiro cigarro depois do nhoque para vir o primeiro comentário.
Mãos abanando o ar, histórias de "ah, mas a minha empregada não fuma dentro da minha casa nem na janela" e que-tais.
Putisgrila.
Não bastasse, resolveram botar uns aneis de lata de refrigerante dentro de uma garrafa de plástico e deram pro menino brincar. Shrak, shrak, shrak - o guri se sentiu na bateria da Padre Miguel.
Não prestou.
Outro olhar meu por cima do ombro e neguinho se tocou.
Mas o guri continuava. Deus do céu, como aquela criatura falava.
Um rim pelo controle remoto e a tecla 'mute'.
E vamos combinar, criança sozinha reinando no meio de adultos às vezes enche o saco, e se é um hábito vai ficando pior com o tempo: eles se acostumam a ter a atenção para si o tempo todo e ficam muito "demanding".
Um pé.
Uma das mulheres chiou diretamente.
"Ai, odeio cigarro".
É, minha senhora, e eu odeio falta de educação, criança sem limites, bêbados machistas em restaurantes falando alto, babacas em geral, mas fazer o que, é liberado por lei, né?
Eu acendi outro cigarro até sem estar a fim de fumar.
Nota: eu estava em lugar destinado a fumantes, ok? Já estava ali, e fumando, quando elas chegaram. Assim como as pessoas nas outras mesas.
Percebi que esperavam outras pessoas e precisariam da minha mesa. Então resolvi pedir mais uma taça do cabernet e um café.
Irritação no ar.
O menino parecia uma metralhadora giratória.
Quando enfim levantei, olhares de alívio.
Comentários sobre o cigarro.
E eu, avessa a barracos em geral, mas doida pra encarar um, só devolvi um olhar, um único olhar: encarei a mesa, um por um, bem fixo, e terminei no menino.
Silêncio.
A capacidade de comunicação vai muito além das palavras.
***
Meu amigo, você tem razão.
Não vale a pena.
***
Estou lendo, ou melhor, devorando, os Diários de Susan Sontag.
Comprei, não. Ganhei.
Já tinha lido trechos de escritos dela e gostei muito.
Só não tinha ideia da criatura arrogante, pedante, narcisista que era.
So far, cheguei aos 17 anos dela no diário.
Minha esperança é de que ela amadureça e melhore até o fim do livro.
***
Desisti de publicar o Olho de Gato.
Ontem, depois do que seria um "penúltimo telefonema", quase acertando as coisas, desisti.
A história é minha.
E minha, só minha, permanecerá.
Mãe é um biSHo que nasce com a palavra 'estresse' marcada a ferro no coração.
A cabeça é easy going.
Mas garanto que, aqui, é do pescoço para cima.
Isso porque o quase-lindo faz suas últimas aulas de direção.
E ontem ficou animado porque "deu 70 km" no Aterro.
E vai ficando cada dia mais animado.
Mal sabe ele - e cada dia mais distante do carro próprio.
Umas voltinhas no 'camburão' na Urca e lambe os beiços, hon'.
Por enquanto.
***
Segurança e paz no morro: foi o que ouvi na tv a mãe de um rapaz morto nos recentes confrontos no Rio pedir.
Foi declarado bandido pela polícia .
Era trabalhador.
Aliás, eram os três rapazes que morreram: trabalhadores.
Estavam no lugar errado na hora errada.
Morreram porque passaram por ali na hora das balas.
A gente fala do morro.
Mas aqui embaixo não está tão diferente.
Também somos trabalhadores aqui.
E morremos porque passamos no lugar errado na hora errada.
Só que somos 'ricos', podemos morrer assim.
Aliás, segundo comentários de alguns, parece até que merecemos.
Polícia também merece morrer, como se não fossem trabalhadores.
Porém, ah, porém.
No jornal, hoje, dizem que o mentor da bandalhada toda é um ex-bandido (oi?) beneficiado pelos mimos penais.
Aquela coisa de bom comportamento, indulto e patatá.
Ainda quero que alguém me explique essa coisa de benesse por bom comportamento, indulto de Natal, dia das mães, dos pais e dos cacetinhos para bandido.
Não entra na minha cabeça.
Indulto, para mim, é fazerem valer a fortuna que pago de impostos para ter o meu direito de ir e vir.
É andar na rua em paz.
É estar dentro de casa em paz.
Daí vem um puliça de elite e crava um balaço na testa de um 'indultado' que mantinha uma senhora como refém.
Mata o estafermo.
E vem o pessoal dos direitos dizer que podiam ter negociado mais, esperado mais e tal.
Condenam o puliça que fazia o seu trabalho, e que, aliás, foi ferido no último confronto.
Ou seja, é pegar um espelho e virar tudo ao contrário.
E a gente tenta entender.
Em vão.
***
ESTARRECEDOR
Menino, digamos, bem-dotado intelectualmente recebe 'proposta' para fazer uma prova de uma matéria de ciclo básico da universidade no lugar de outro menino, fraco na matéria.
Proposta feita pelo professor de um cursinho pré-vestibular.
Leu direito? Quer que eu desenhe?
É isso mesmo.
Proposta - 50 pilas - para fazer uma prova no lugar de outro aluno.
Um pro-fes-sor!!!!
Digamos que ao ouvir a história, mais real e próxima do que eu jamais pensara, o guioza (N.T.: pastel japonês cozido no vapor com molho de nada e cebolinhas picadas) que eu saboreava com tanto gosto tomou caminho menos nobre.
Explico pacientemente o que é 'falsidade ideológica', e que essas coisas dão prisão.
Para os dois lados.
(Graças a Deus antes de explicar tudo, ouvi as palavras "não", "desonestidade" e "errado".
Há coisas que dão um trabalho insano e valem a pena.
Educação em casa é uma delas.)
E mostro, entre outras coisas nessa canalhice toda, que se estão oferecendo 50 pilas para fazer a prova, é ca-la-ro que o "mestre" está recebendo bem mais para armar essa palhaçada toda.
Pelo menos três ou cinco vezes mais.
Daí eu me pergunto: o que esperar da Educação com "mestres", "educadores" assim?
***
Algumas coisas carregamos conosco pro resto da vida.
Não tem jeito.
Nem borracha que apague.
Ah, sim.
Tudo tem um preço.
***
Passado
(é a gripe, o descongestionante e o chá de maçã com canela)
Atchoinc
Depois de quase um ano sem um resfriadinho sequer, ele veio me rondando e, depois da chuvarada de ontem, 20 minutos em pé na rua com chuva e vento esperando um maldito táxi, hoje ele veio com tudo.
Vai ser fim de semana de molho regado a um generoso sortimento de chocolates koppenhagen que ganhei ontem.
***
Amiga querida, feliz aniversário!
Todas as melhores coisas do mundo pra você, viu?
***
Juro que semana que vem tenho mais assunto.
Agora tá casca.
Blog action day 2009
Act!
This is not just a picture.
It’s our home.
We should take care of it.
Seriously.
And now.
Para que as ações globais surtam efeito, é preciso começar em casa.
Nas nossas casas.
Individualmente.
E educadamente.
Não bastam as decisões dos governantes, dos policy makers, dos G-importantes.
A primeira decisão é sempre individual.
É de cada um de nós.
A lista do que fazer e não fazer todos nós conhecemos.
Agora é preciso praticá-la.
Act today to save it for tomorrow.
Surreal
Mas, sabe, como na solução das crises conjugais há gente que apele para mais um filho, resolvi fazer uma aplicação no banco E cancelar um serviço pelo qual o banco me cobrava, mas pouco me servia. Tudo no mesmo dia, na mesma tacada, assim, com duas frases de diferença.
Hum. Bad move, girl.
O rapaz tenta me convencer mais uma vez por que eu 'precisava' daquele serviço inútil e caro - 30 paus por mês, mas não adiantou, pois se ainda fosse inútil e gratuito, estava pouco me lixando. Então me fez assinar um papel - que eu li e, juro, enxerguei mesmo - no qual eu cancelava o tal serviço (e, sim, pensei, a tal cobrança bancária).
Qual não foi minha surpresa, puxo o extrato e vejo que o serviço inútil, caro e cancelado havia sido debitado da minha conta duas vezes. DUAS. Com o intervalo de uma semana. Ou seja, 60 paus. Cheiro de ex-marido entrando pela porta - inútil, indesejado e muitas vezes caro também.
Era uma boa briga. A que eu precisava na semana de enxaqueca.
Acordei com Killer em cavalo. E botei um x-9 para enviar a luva para o gerente do banco. Visualizei o pobre rapaz, daqueles que aperta a sua mão mole. Ai, como eu odeio aperto de mão frouxo! E mãos cuidadosamente manicuradas, grosso anel de prata no dedo anular direito, cabelo em corte escovinha com topetinho de gel e frases que geralmente começavam com um "veja bem".
Aperto de mão frouxo + "veja bem" introduzindo as frases = irritação profunda.
O rapaz explica tudo ao x-9, que me relata a pendenga pelo telefone.
Triangulamos a conversa ao telefone.
Satisfeita?
Não.
Ele perdeu a carta que eu assinei abrindo mão do serviço inútil.
Killer rosna. Lindinha engole dois lexotans com chá de pata de vaca.
Soluções:
- fico com o pacote peão, que dá direito a poucos serviços (igualmente inúteis), mas é gratuito.
- perco o cheque especial e os dias sem juros (coisa que usei uma vez em 15 anos por pura distração minha)
Não estou satisfeita.
Killer estava impaciente, mordia a focinheira; Lindinha, meio dopada, sentia o enjoo subindo pela garganta.
Ligo para o boneco outra vez.
Faço perguntas, peço uma carta formal do banco dizendo por que 'errou' ao me cobrar indevidamente a mesma coisa duas vezes além de perder um documento assinado por mim (do qual eu, claro, tenho cópia).
No meio disso tudo, falo que "não mereço ser tratada daquela maneira". Foi a vez de Lindinha.
E foi impressionante o efeito que essa frase surtiu.
Ele comunicou que tinha estornado o TRIPLO do valor debitado equivocadamente da minha conta e disse que "acompanharia aquela conta atentamente por um mês, pois ela era muito importante para o banco".
Killer saiu feliz com o peso de pá, peito e acém que lhe foi concedido, e Lindinha, pós-mimimi, recolheu-se à tradução do livro de patologia e do texto de entomologia.
Isso tudo sem botar o pezinho fora de casa.
Quanto ao futuro da relação, depois de devidamente discutida assim, só o tempo dirá.
Em se tratando de mim, sempre pensando na possibilidade de puxar o extrato amanhã e terem me debitado do triplo do triplo que me estornaram.
Menos um dia

Semana que começa sem a segunda me atrapalha.
E a coisa foi feia.
Tive uma enxaqueca que começou às 21h e foi até as 5h da manhã.
Foi o recorde.
E tudo que comi ontem foi um salmãozinho com torradas.
Um sanduíche-íche de queijo de minas com mate diet à noite.
Ou seja, nada que matasse.
Pois quis arrancar meu olho esquerdo fora.
Dor dos infernos!
Nem era forte, enlouquecedora, mas um alfinete bem fininho espetado bem na íris.
Por oito horas non-stop.
Analgésicos? You bet. Tomei três diferentes.
Neca.
Paninhos, compressas geladas, o Bob Esponja térmico direto na têmpora, reza, promessa, gemidos e muito #mimimi.
Não chorei pra não doer mais.
Quase pedi o Samu.
Mas aí lembrei da sirene.
Ui.
Daí às 6h, quando o primeiro da matilha levantou, a dor passou.
Assim, pá.
Foi diminuindo, indo, inu e iu.
E eu besteirona de painkiller.
Passarinhos fazendo algazarra na minha varanda. Eram quatro.
Eu estava até surda.
Olhava e eles me pareciam quatro borrões amarelos, geminhas voadoras, pepitas de ouro bailarinas.
Estou trabalhando até agora.
E vou até o sono me vencer.
Uma hora qualquer, desabo.
Mas hoje já é terça.
Menos um.
Domingão
Acho o calçadão em feriado um tratado socioantropológico.
Eu amo os tipos do calçadão.
Me distraio me achando tão sã e equilibrada.
***
Porém, ah, porém.
Animação em tênis velho é um problema.
Foi que andamos, andamos, chegamos ao arpoador e, sim, já que estávamos ali, por que não seguir até o forte de copacabana e comer uma coxa-creme na colombo?
Obviamente lotada de gente que num sábado de sol cismou de comer coxa-creme como nós.
Então, uma coxa-creme e um coca-cola depois, de volta até o leblon, arruinando a queima calórica da atividade.
E duas bolhas nos pés.
***
Beto disse ontem que estou mais magra.
Mas quando a própria mãe o diz, a coisa muda de figura.
Me sinto esquálida.
***
Fomos a um lugar maneirinho bater papo.
Comidinha honesta, serviço 100%, caipirinha de tangerina show de bola.
Mas na conta eram trocentos chopes.
Só minha amiga de fé irmã camarada, segundo constava ali, tomou 17 garotos (chopes, viu?).
E ela dizia, em voz firme, olhos nem tanto:
- Moço, você imagina como eu estaria se tivesse tomado mesmo 17 chopes?
Pior é que constava ali que eu tomei seis caipirinhas de tangerina.
Oi?
No dia em que bati meu recorde, exatamente em 23 de março deste ano porque não dá para esquecer essa data, foram oito.
E fui literalmente resgatada.
Mas seis?
Eu, hein?
Olimpics
lançamento de cachorro pela janela.
Tu tá achando engraçado?
***
Vou desembolorar ao sol.
Estava criando uma capa verde aqui, um limo estranho, e comecei a falar sozinha em inglês, talvez pensando estar na Irlanda.
Rain
Gosto dessas flores que não vergam e não perdem seus botões com as intempéries. Sempre gostei das pessoas fortes, e plantei-as, talvez, nos mesmos vasos das lavandas, uma espécie de metáfora para lembrar de outros tempos, uma outra pessoa que morava aqui e de cujos olhos que brilhavam faíscas tenho muita saudade.
Com tanto frio glacial, só me dá vontade de aninhar-me no sofá e ficar na companhia de Billie ou Nina. Ainda concluindo o livro sobre estupidez e me dando conta do quanto é saudável um toque de estupidez na gente. Emburrecer um pouco. Ter emoções mundanas e infantis de vez em quando. Vai ver é o que não nos deixa vergar com os tufões. Nem murchar como as passas.
Chega de tanta filosofia barata. Deixa eu meter o pau no nobel do messias do século 21, uma demagogia vergonhosa. Meter o pau no photoshop que cruelmente nos dá 'padrões' de infelicidade em cima de 38 kg, manequim 36. Been there, done that. Vale a pena, não.
Minha mãe diz que emagreci. Passa a mão nos quadris e me faz mais fina.
- É a roupa, mãe.
- Você não consegue ver?
- Não.
Não tenho me olhado muito no espelho ultimamente. Deve ser o que meu analista chamou na última sessão de "compaixão".
Vai ver.
***
Ontem, esperando o táxi na portaria, conheci a vizinha pocotó. Maior dilúvio, gente juntando pares para por na arca, e a moça me adentra a portaria, eu tentando falar com Veneza (olha só, que chique, conheço alguém que está neste momento em Veneza), e só escuto:
- Poc, poc, poc, poc.
Ah, este som! Eu conheço este som!
Olho para a fonte do trotar e os vejo ali, imperiosos: dois tamacões. O quê? O quê? Vermelhos, é claro. Uma plataforma de uns 20 cm no barato, vermelha total.
Ela entra e sorri, simpática a moça. E potoc-potoc caminha até o elevador. Tento adivinhar o tamanho do pé da cinderela. Deixarei numa caixinha à porta um par de molekas.
Pode ficar pior do que ela galopar o dia inteiro (como entra e sai a égua!) e cantar no chuveiro sábado de manhã?
Sempre pode.
Ela comprou um poodle. Filhote. Late e chora no banheiro.
Minha vida é uma delícia. Só vai melhorando.
No mato, mas na cidade
Respondendo à pergunta que minha mãe me fez ontem, "mas que diabos você perdeu lá?"
Não sei o que perdi, mas talvez saiba o que estou achando.
Muito organizada e simpática, é um mega evento. Pessoas amáveis, um mundo de coisas legais para ver, comer, ouvir, beber e ... comprar. É.
Dá para ir sem tomar café da manhã até, porque os expositores são TUDO para nós experimentarmos. Devo ter saído de lá uma baiuca. resolvi almoçar lá antes, e este foi o meu erro. De cara, fui à barraca do Acre na praça de alimentação e tracei um pirarucu e uma tapioca recheada de doce de leite com queijo. E suco de cajá. Oh, céus, cajá! Vai daí, comprei um pote de doce de cupuaçu.
A feira é muito bem-dividida pelas regiões brasileiras. E você sente como se estivesse em cada uma delas experimentando suas diferenças e regionalidades. Muito legal o espaço dedicado às artesãs - as mulheres do campo que se reunem para produzir artesanato e delícias com os produtos locais e materiais reciclados. Um show de criatividade. Impressionante o poder inventivo e criador do brasileiro.
Bolsas feitas com pele de peixe, lindas; uma coleção de cestarias feitas com todos os tipos de material que se possa imaginar; doces de TUDO; temperos, sucos. Frutas e sementes de que nunca tinha ouvido falar. Flores feitas de material reciclado de árvores e restos de plantação. Um luxo! Rendas lindas, bordados, compotas, sabonetes artesanais, tapetes, rendas. Ai, ai, o consumo... Violeiro tocando, alguns shows programados para a noite, mas não me animei a ficar por causa do tempo. Mesmo com a tal "praça da cachaça".
O que eu trouxe e que valeu a pena: polpas de sucos orgânicos (tangerina, tangerina, tangerina!!! E laranja, goiaba, cupuaçu e cajá. Doce de cupuaçu, bombom de cupuaçu, salame (sa-la-me, saca o tamanho?) de cupuaçu. Sim, sim, eu amo cupuaçu. E tapioca, muita tapioca, fácil de fazer e uma delícia. Um queijo do sul, queijo da colônia, queijo parmesão de uma consistência fantástica. Chapéu de palha, sim, comprei um i-men-so, com aquele abão, praticamente um toldo. E muito material de leitura.
O espaço Amazônia é um troço de louco. Montaram uma 'cabana', um espaço fechado enorme reproduzindo a floresta amazônica. Ficou um desbunde. Como estava chovendo, com direito à umidade e ao efeito estufa da região. Troncos, árvores, reprodução de pássaros voando.
Gente simples, simpática, amável. Querem que você experimente tudo, que veja tudo, que saoba a história de tudo. Ou seja, produto e informação. Aprendi muito. E curti demais as quatro horas que fiquei ali. Pena a chuva, porque tem uma área vastíssima para piquenique com aqueles mesões, bancos, cadeiras, tudo ao ar livre, de frente para a paisagem inigualável da Baía de Guanabara. Uma pena, cinzenta, fria e chuvosa. Ainda assim, valeu cada minuto. Aguardo a próxima edição, acho, ano que vem.
Intempéries
Semana de trabalho intenso, dois textos diferentes, um pela manhã, outro à tarde, então hoje me dou de presente a visita à feira Brasil Rural Contemporâneo na Marina da Glória (vou de barco?). Levo sacolinha e cartão. Já sei, já sei. Mas já sei também que tem um suco de tangerina orgânico à venda lá que é um espetáculo. E biju. Deus do céu, eu dou um rim por um biju. Já.
Feriado? Praia. Yeah, com chuva e tudo porque é mais vazio. Aquele meu velho problema com 'gentes'. Longas caminhadas respirando o ar da maresia e tudo fica um pouco melhor.
E encaixado.
***
A moça chega aqui em casa contando que a sobrinha de 14 anos teve bebê.
É.
Era previsto.
A gente pensa 'como essas coisas acontecem?', mas lembro dessa menina ter desistido de si mesma há uns dois anos, quando parou de estudar (com a concordância surda, muda e covarde dos pais) e passou a 'viver no portão de casa'.
Não ia dar em outra.
Pena. Dela, claro, a quem faltou um mínimo de orientação. De quem uma criança rouba outra criança. De quem terá a linha da vida interrompida desnecessariamente.
É aquela história, tem certas coisas que não são opções para esses guris. Esse papo de vou parar de estudar, vou fazer isto ou aquilo, às vezes precisa ser acompanhado de um sonoro 'não'.
É difícil dizer tanto 'não'. Mas eles são necessários. Pra não dar nisso aí.
Mas aí tem a bolsa família, a bolsa não sei o quê, e vida que segue.
São os 27% de imposto pago mensalmente sustentando a galera que não teve o 'não'.
E aqui a bruxa sou eu.
***
Falando em imposto, ano que vem declaro ao governo que "por falta de arrecadação de renda suficiente, não estarei pagando imposto". Por favor, aguardem".
Quero ver no que vai dar.
A minha restituição estou esperando.
Mas sei, sei, os gastos com as bolsas e as cestas são enormes, então eu, a privilegiada classe média burguesa, curso superior, ap na zona sul, carro do ano e tal, a otária que trabalha zilhões de horas por semana às vezes incluindo fins de semana e feriados, a babaca que paga religiosamente os impostos e a escola particular do filho que espere.
Afinal de contas, sou elite.
Afinal de contas, posso custear meus símbolos de consumo capitalista e egoísta, meu tênis adidas, meu ipod, meu notebook e minha bolsa de grife.
Por que não poderia esperar, né?
***
Mais um casal que se separa, e eu escuto o discurso da incompatibilidade de gênios.
Me vem muita coisa à cabeça.
No momento errado, claro.
A tal intolerância, as tais verdades absolutas, arrogância, machismo e a cruel ilusão dos que apostam no amor eterno. Cegamente.
Então deixam passar os sinais, os sintomas, as perebas, as dores, as queixas.
Calam-se em nome do eterno, da culpa, do talvez um dia.
Até o dia da grande onda, a pesada bigorna, a grande onda e a desistência de tentar furá-la.
Desistir é fácil. Muito fácil.
Pizza com laranjada
E as IMAGENS falam melhor que o texto.
Barbárie é o nome.
E nada, nada, nada a justifica.
Receberam mais de uma centena de milhões de reais para que mesmo?
115 milhões da União em cinco anos para quê?
Para isso?
Em uma viagem pelo interior, um fazendeiro disse que perdeu, em um só ano, dezenas de trabalhadores (carteira assinada, condições legais de trabalho etc) que optaram por deixar o trabalho na fazenda para mudar com malas, bagagens e famílias para acampamentos dos sem-terra.
Os ex-funcionários diziam que lá tinham a 'barraca', comida, escola (sim, escola) e "não precisavam trabalhar o dia inteiro" (sic). Aliás, não precisavam trabalhar at all. Então preferiam assim.
Ontem, ao ler a primeira notícia da destruição do laranjal e depois de ver as cenas chocantes, lembrei do fazendeiro. E entendi a cena que vi.
Em cinco anos, o 'movimento' recebeu 115 milhões na União.
Daí o povo #mimimi se queixa dos milhões que serão gastos 'só no Rio de Janeiro' com as Olimpíadas. Fora o dinheiro que vai ser 'desviado'.
Ok.
Mas para destruição pode, né?
É caso de polícia. Mas, sabemos, não vai dar em nada.
Pizza com laranjada.
Dos 12 mil pés de laranja destruídos, pura e simplesmente, pelos camaradas.
Sabe o que é?
Destruíram alimento, co-mi-da.
Jogaram comida no lixo.
Disseram que era para plantar de feijão, pois "não se vive só de laranja" (sic).
A Cutrale (proprietária da fazenda destruída) vive. Porque planta laranja e beneficia a fruta em suco para consumo interno e exportação.
Gente que trabalha, que produz, sacumé?
Que não vive na aba dos outros.
E plantaram feijão? Não.
Deixaram a fazenda com um rastro de destruição que incluiu arrasar a plantação, quebrar tratores e equipamentos, pixar a propriedade com a sigla do 'movimento', arrancar louças e sanitários dos banheiros, entupir as tubulações.
Isso não é movimento. É bandidagem. É canalhice.
Não é um movimento sério.
Está provando que não serve para nada.
Gente do mal.
Ponto.

imagem da destruição de uma reserva florestal em SP (comandada por 'eles')
***
Ainda na série 'city rage', ao senhor que encontrava-se na mesa ao lado da minha ontem à noite, consumindo quantidades industriais de vinho (de má qualidade) e que fez afirmações como:
- "... ele conheceu a minha última ex-mulher, uma das quatro. Não era um doce? Não abria a boca!"
- "melhor é mulher casada, vai por mim. Pega aí uma mulher casada pra ter um caso. Elas não discutem relação, estão sempre animadas porque em casa a vida é uma merda, não te enchem o saco nos fins de semana e não vão querer ter filhos. Melhor ainda se tiver até 25 anos."
- "eu tenho duas casas. A minha onde eu vivo a vida de casado e a outra, lá em N******, onde passo um tempo com a que não me enche o saco."
Isso o que posso publicar, o 'publicável'. Teve mais. Teve pior.
Isso tudo às gargalhadas e alto, para que os outros seis convivas apreciassem bem aquele show de escrotice. E mais, pior: duas mulheres à mesa riam sem parar, apoiavam os argumentos, achavam tudo lindo. Uma se tocou que meus olhos estavam praticamente soldados à mesa. Eu não conseguia disfarçar. E ela comentou com o babaquara. Que nem ligou, "deixou que eu participasse da conversa". Debochava dos "casados" da mesa, dos que saíram mais cedo, perto das nove, para casa. Debochava daquelas duas bofes medonhas que faziam ri-ri-ri para as 'vantagens' que ele contava.
Eu olhava pro meu garfo e o via ali, enfiado bem no meio da careca dele. Ou no meio das pernas dele. me segurei. Meu carbonara estava muito bom.
Daí ele se levantou para ir ao banheiro. E era exatamente o que eu supunha. Aquele tipinho de metro e meio, bem galetinho, uns sete ou oito fios de cabelo.
Depois, claro, saiu dando tapinhas nas costas dos companheiros e entrou no quê? No quê? No que?
Num Corolla, claro!
Então, senhor, hoje experimente dois comprimidos de enteroviofórmio - um potente medicamento para tratar diarreia -, mas com cuidado ao administrá-lo concomitantemente aos seis comprimidos de Viagra que o senhor deve precisar por dia.
A interação pode ser altamente explosiva.
E os efeitos colaterais, imprevisíveis.
Disillusioned

Não que eu esteja desiludida com o ensino público universitário.
Longe disso.
Afinal, é uma economia de 2.200 reais por mês.
Imagina pagar isso durante cinco anos (sem contar os reajustes).
Mas é um tal de ponto facultativo e 'semana de xpto' (sem aulas) que é uma beleza.
E um horário que arrasa a vida de qualquer um.
Mas não reclamo, não.
Nem ele.
Quase-lindo feliz feito pinto no lixo.
***
No boredom here.
Cliente novo recebe o trabalho feito e manda outro no mesmo dia.
Paga contra entrega.
Ahn?
Tô acostumada com isso, não.
***
A boa da semana é o Brasil Rural Contemporâneo.
Explico.
Uma megafeira que começa hoje, reunindo música, cultura, orgânicos, gastronomia e artesanato.
Tudo do Brasil rural.
Eu, que me amarro num campo e sou fanzoca do Globo Rural que assisto todos os dias às 6h da manhãzinha, serei figura garantida.
Eu sei que você me acha uma criatura estranha.
***
Uma vergonha esse roubo da prova do Enem.
Uma prova inteligente.
Agora, fora um ano de estresse desses guris com uma dezena de provas de vestibular - em média duas ou três etapas para cada universidade -, precisam lidar com o estresse do novo dia da prova, locais distantes de casa etc.
É uma sacanagem.
***
Começo a olhar cursinho pré-vestibular pro lindo.
Nem é pro ano que vem.
Continua na escola.
É para a partir do segundo ano.
Fui me informar sobre aquele que massacra, mas aprova qualquer lindo para as tops de linha.
É que o lindo cismou porque cismou de fazer medicina.
Ai, ai.
Fiquei sabendo que a prova de admissão (para a bolsa) dura quatro horas.
E a mensalidade, caso não role a bolsa, é hoje de 1.800 reais.
Oi?
Chicken disillusioned.
***
Vai daí que eu subo numa nuvem e que vejo quase-lindo será engenheiro de alimentos E engenheiro químico (as duas concomitantes na mesma Escola de Química da UFRJ, dá pra fazer, "é mole").
O outro, médico, em princípio não deve botar a mão na massa, digo, no paciente, mas tem um raciocínio científico perfeito e já fala em pesquisas de vacinas.
E, last but no least, os dois campeões olímpicos.
Gente, é de graça!
***
No fim do mês, campeonato estadual.
E teremos lindo e quase-lindo competindo na mesma raia.
Pelo papo no jantar, a coisa promete.
sometimes all you need is to cool your feet
for all other times, a black labeled box is safe
or thousands of words to work with
***
eu: Senhor?
Ele: Sim, filha.
eu: Passa?
Ele: Passa.
eu: Tá.
***
Linha Direta
eu: Senhor...
Ele: Filha, estás sumida... Cheguei a achar que tivesses...
eu: Bom, mas aí o Senhor seria o primeiro a saber, não?
Ele: É verdade.
eu: Estresse, Senhor, estresse...
Ele: Fala que eu te escuto, garota.
eu: Senhor, temos dois banheiros em casa. O Senhor sabe, conhece a planta do meu ap de tanto ser chamado aqui. E, aliás, desculpe os gritos...
Ele: Sim, prossiga.
eu: Senhor, há uma guerra fria em andamento aqui. A coisa está me deixando louca.
Ele: Obras no banheiro? Vazamento? Ah, a vizinha cantora!
eu: Não, Senhor, o caso envolve roubo de papel higiênico.
Ele: Isto é sério, filha. Vou chamar Santo Antão para uma consultoria. Prossiga.
eu: Pois é, Senhor. É que quando o papel acaba no banheiro 2, o da matilha, eles simplesmente vão até o meu banheiro e pegam o meu rolo.
Ele: E logicamente não devolvem, não repõem.
eu: Justamente, Senhor. Isso me põe doida. Nunca tem papel no meu banheiro. Os infelizes não se dão ao trabalho de andar 28 passos – eu contei – até a despensa para pegar um rolo. Já deixei rolos extras lá numa cestinha linda de vime que comprei só pra isso, já tentei de tudo, Senhor, sinto que vou perder a cabeça dia desses e espalhar rolos e rolos de papel pelo quarto deles, enfaixá-los com Neve feito múmias enquanto dormem... Senhor, já pensei em tudo, inclusive em deixar faltar mesmo, não comprar, viver com uma caixinha de papel Yes na bolsa e tal...
Ele: Já tentou o golpe baixo e mudo?
eu: Já, Senhor, justamente. Ele encontra-se em andamento. Eu vou lá e retomo o rolo. Eles vêm aqui e pegam o rolo. Eu vou lá e retomo a posse do rolo. E assim ficamos.
Ele: Sim, filha, é difícil, posto que pensaste em todas as estratégias mais vis e baixas e nada adianta. Lamento, mas Santo Antão não está. Ele saberia resolver.
eu: Antão. É o que eu digo. “Antão, meninos, pelamordedeus”.
Ele: Eu ouvi ontem filha, eu ouvi. Faça o seguinte: apele para o papel lixa. Aquele, o cor-de-rosa.
eu: Ah, Senhor, não... Trauma da época de colégio. Não, o rosa lixa, não!
Ele: Será por pouco tempo, filha, eu vos asseguro. Mantenha o rosa lixa no seu banheiro, claro, tendo a sua caixinha de papel Yes sempre na bolsa. Mas no porta-rolo, sempre o rosa. Na despensa, idem. Rolos e rolos de papel rosa lixa. Verás as expressões de desespero. Enquanto tu, claro, tranquila e macia. Ah, importante, esconda os Hipoglós e os jornais também, senão não vale.
eu: Oh, Senhor, como és sábio e sensato. Farei isso, Senhor!
Ele: Acredite, filha, resolverá. Eles clamarão por um Personal, um Neve.
eu: E o papel da impressora, Senhor?
Ele: Trancado, lacrado no maleiro, onde só tu sabes.
eu: Não tenho palavras para agradecer, Senhor. E pelo sim, pelo não, vou ocultar também os pacotes de Perfex, os guardanapos da cozinha e os panos de prato. Nunca se sabe, não é? Na hora do desespero...
Ele: Isso, filha. Ides tranquila, na minha santa paz.
eu: Valeu, sábio! Beijão.
(lembrei disso aí, da janela do ap na Rue de Beauregard. ô, saudade da peste!)
Dia absoultamente perdido.
Saco.
Odeio dias improdutivos.
Choveu pacas.
E eu fui mordida pela mosca tsé-tsé.
Dormi à vera.
Nos intervalos, me entupi de canjica.
Depois, reclamo...
Mentira: fui almoçar no tailandês.
Lá em São Conrado.
Naquele shopping podre de chique.
E eu nem batom passei hoje.
(Até o braço estava cansado pra passar batom.)
Gente, aquilo lá é um mundo que não me pertence.
Acho que vou dormir cedo também.
Ninguém merece falar com o meu anjo hoje.
O tamanho dos sonhos
O que é a vida sem metas e sonhos?
Não entendo, sinceramente, a ‘campanha’ de alguns brasileiros contra as Olimpíadas no Rio. De todas as razões que li/ouvi, nenhuma foi suficiente para que eu deixasse de torcer. Tivemos um Pan impecável na cidade. Mostramos o nosso yes, we can. Acompanhei muito porque acompanho esportes, gosto de esportes, em especial do iatismo.
Pensemos nos atletas brasileiros que pouco têm de incentivo ($$$$) para manter-se no esporte. Quantos abandonam no meio do caminho. Quantos são vencidos pelo desânimo.
No caso do iatismo, é paitrocínio e mãetrocínio que contam basicamente. Só muito, muito lá na frente se consegue um din-din que banque o caríssimo material. Sacrifícios, grana, dor, mãos inchadas, quantidades industriais de filtro solar, mas acima de tudo muito prazer. É o que vejo nesses meninos.
Poucas pessoas têm ideia do quanto o esporte pode ser benéfico, positivo na vida de um guri. O quanto muda ter uma meta. O quanto constroi. É abrir mão de baladas por causa de treinos e competições logo cedo. É aprender a se alimentar direito. É ter amigos. É conviver num ambiente em que, além de velejarem, jogam bola, brincam, riem, se futucam, brigam, disputam, vibram uns com os outros, se ajudam.
Por ‘observação estatística’ minha, os que mais se destacam são excelentes alunos na escola e na universidade. Com os meninos aqui sempre foi assim, até porque sentar no barco sempre foi algo que esteve condicionado ao boletim todo azul em todos os bimestres. Então, nunca fizeram sequer uma prova final. E cansaram de estudar dentro de aviões, em alojamentos, embaixo de coqueiros para fazer prova de segunda chamada que estavam perdendo por força de uma viagem para correr campeonato. E, na volta, os resultados foram sempre azuis. Muito azuis. Bem, um deles estudou durante três anos com bolsa na escola por ser o terceiro melhor aluno do colégio. Ganhou por mérito.
O esporte dá meta. Dá disciplina, ensina superação, dá maturidade, jogo de cintura. Proporciona experiências importantíssimas desde muito cedo.
Sempre incentivei. Procurei estar presente em todos os momentos possíveis, eu também levando traduções e notebook à tiracolo para poder acompanhá-los sem prejudicar o meu trabalho. Ri junto, chorei junto, comemorei junto, e acho por bem me afastar quando o dia de competição não foi bem e sinto o prenúncio de chilique no mau humor que paira no ar nessas ocasiões – é a hora do luto, de aprender a perder, de aprender a errar, e esta é uma hora silenciosa e soliltária. É quando eles crescem mais um pouquinho.
E aqui estou falando de classe média-alta privilegiada que pode bancar o que os ‘desdenhosos de plantão’ chamam de ‘esporte de rico’. Bem, eu vi um menino do sul proveniente de um programa de bolsa-esporte ser campeão brasileiro, e vibrei como se fosse meu filho. Era um guri que cozinhava para os irmãos, levava os guris para a escola, treinava, estudava e à noite fazia os deveres. Hoje está na faculdade, o que certamente não teria conseguido não fosse o incentivo que teve.
Esquecemos dos que começam a carreira esportiva correndo no barro sem tênis, nadando com sunga velha e sem alimentação correta, velejando com material emprestado, batendo bola com raquete rota e empenada. Vai me dizer como chegam lá? Apostando no sonho, tendo meta.
O sonho de ver um filho campeão olímpico é meu, sim. A meta é dele. (“Dele” porque um deu um tempo no esporte por conta de vestibular, faculdade + cursos de línguas – não dá pra reclamar). Aos 14 anos, ele quer algo especial na vida. Treina com dedicação, com sol ou chuva, num frio de rachar. E acha tudo lindo. Aprendeu a chegar em primeiro e em último – ninguém tem ideia do quanto isso ensina. Largar em último e chegar em primeiro = superação. Largar em primeiro e chegar em último = aprendizado.
Isso tem preço?
Mantendo o ‘mote’ da amargura nos últimos dias, estou cada vez mais impressionada com o astral negativo das pessoas de um modo geral. Puxando a sardinha pro meu lado? É, talvez um pouco, sim. Porque vi ao longo dos anos o que o esporte, o desafio e a meta podem fazer na vida de uma pessoa, principalmente de um jovem. Quantos guris o esporte tirou das ruas, botou nas escolas e mandou para a frente, inclusive com cursos profissionalizantes como é o Projeto Grael, por exemplo. Ou o Gol de Letra. Projetos no judô, na natação, no vôlei, no basquete – geralmente idealizados e patrocinados pelos próprios atletas, que puderam ver a diferença que o esporte pode fazer na trajetória de uma pessoa.
No mais, o Rio precisava das Olimpíadas. Somos uma cidade tão machucada, tão tratada como viralata pelo resto do país, com tantas mazelas sérias de difícil solução, que precisávamos ter essa chance de amadurecer, de mostrar que podemos, sim, fazer um evento legal, que funcione, botar o pessoal para trabalhar em prol de alguma coisa. Em qualquer país do mundo o povo trabalha num evento como esse como voluntários. Aqui as pessoas chiam. É preciso mudar essa mentalidade.
Se as Olimpíadas servirem para nos mostrar que ‘podemos’ já terá valido a pena.
No mais, lamento as pessoas negativas, de visão tacanha e limitada, amarguradas e tristes que simplesmente não conseguem a-cre-di-tar.
Eu vejo dois guris acreditando num projeto, num sonho, numa meta. E me recuso a dizer que não podem. Seria, de fato, mostrar que não têm raça. E você fazer alguém desacreditar de si mesmo é uma coisa muito, muito cruel.
***
Campeão estadual estreante aos 10 anos.
Acreditou.
Campeão estadual aos 12 anos.
Campeão brasileiro aos 14 anos.
Acreditou.
Meninas para sempre
Bonecas, lápis e papel, coelhos, galinhas e mato eram meus companheiros. Na cidade ou na roça, tudo o que eu queria era exatamente ... ficar quieta e brincar. Chapinhando em poças de lama, fazendo correr barquinhos de papel nas canaletas quando chovia, brincando com bolhas d'água na piscina, recortando bonecas de papel e seus vestidos. Deixavam-me horas sozinha no quarto brincando, lendo ou ouvindo música, e eu era a criaturinha mais feliz do mundo.
Praticamente uma anciã.
Engano.
Eu adorava brincar. Era risonha, bem-humorada, feliz. Não tinha tempo ruim para mim.
Na adolescência, a "velhice" piorou, porque aí eu virei 'intelectual'. As coisas que eu lia em casa não faziam parte da literatura das minhas amigas. Eu era muito mais nova que meus irmãos, então acabava lendo os livros ... do meu pai, da minha irmã. E comecei a ler cedo, aos cinco anos. E a ler a história da segunda guerra mundial, Virginia Wolf, Dickens e revistas da sociedade brasileira de psicanálise. Pois é. Qualquer papel era uma possibilidade para mim.
E brincava, brincava, brincava. Burra velha já, tinha um exército de Susies (me entreguei agora...) e roupinhas, sapatinhos, casinhas. O primeiro namorado, coitadinho, testemunhou isso tudo: a 'garota' dele brincava de Susie...
A fissura era ter um filho. Para quê? You bet! Para brincar! The "mentally challenged mom" tinha um prazer inenerrável em sentar no parquinho e fazer buracos na terra com pazinha e ancinho. Enfileirava carrinhos de ferro, trazia terra com o caminhão basculante, montava cidades de Lego que impediam nossas refeições à mesa. Ai de quem tocasse naquilo!
Eu era, então, uma menina no meio de dois meninos. Que muitas vezes ficavam (ok, ainda ficam) vexados com a mãe-criança que lhes foi atribuída. Dançávamos no meio da sala, escrevíamos histórias absurdas, cantávamos no carro, e até hoje não resisto a um convite para uma rodada de Monopólio, War e Twister.
Eles nem precisavam de brinquedos. Tinha a mãe como um.
De mim, herdaram o gosto pelo brincar; o humor ácido, ferino e debochado; um non-sense no cotidiano que torna a vida um pouco mais leve.
E quanto mais o tempo passa, parece que gosto mais de brincar. Eles também. Uma espécie de vacina de alegria contra o amargor, as crises, os problemas - aquilo tudo que nós, "adultos", passamos de quando em quando. Somos capazes de rir um pouco até de algumas desgraças, o que tira o 'peso' de uma situação negra.
Meu analista disse uma vez: "teu humor te salva", depois de literalmente gargalhar com um chilique meu que durou uma sessão inteira. E me explicou que Freud já falava sobre isso - a capacidade do humor 'modular' positivamente a psiquê de uma pessoa.
Devo ter a vida eterna, pois.
Perder a alegria de viver é um golpe violento e cruel. É perder-se. Alguns vivem bem sem água, comida e doce. Eu não vivo sem alegria. É o meu ar.
Por isso, brinco até de olhos inchados.
Por isso, também, os comentários 'ferinos' sobre a fazendinha e o aquário de nada me servem. Experimente trabalhar com textos que só falam de desgraça e doença, pacientes terminais, mazelas dolorosas e incuráveis, células que tocam um terror em nossos corpos. No fim do dia, se eu pegar um Sartre, juro que pulo da janela!
De nada podem servir o desdém para uma ex-viciada (ainda nos 12 passos da recuperação) em PS1, 2 e 3; a que ficava até as 3h da manhã tentando passar de nível no Crash Bandicot; a que empunhava joystick e disputava animadas corridas de F-1 com os filhos.
A que penteava as Barbies das sobrinhas - as filhas que não tive. A que ensinou a elas a fazer uma boa sopa de folhas de árvore, papinha de lama, bolos de argila enfeitados com flores do quintal. A que insistia, ano após ano, em esconder ovos de páscoa no jardim, ou esperava todos dormirem para colocar presentes de Natal nos sapatinhos que ficavam na varanda. A que compôs uma música para as chupetas dos filhos...
Me dê um caderno de colorir e uma caixa de crayons. Verá uma pessoa feliz.

aos 26 anos, grávida do primeiro filho, paguei pra fazer rodar um carrossel em Les Halles, Paris, porque cismei que queria brincar
(Que fique dito que meus filhos são meninos extremamente maduros e responsáveis. Meninos 'cabeça', eu diria. Não sofreram sequelas. A não ser estarem invariavelmente com seus belos dentes arreganhados.)
Penteando Barbies
Um contra dois.
Um de cima da grade, chegava a baixar o corpinho e esticar o pescoço, dando uma carraspana daquelas em dois no poleiro embaixo, que respondiam em voz (pios) alta. Boa coisa não tinham feito aqueles dois. Um decide subir, tipo, vou aí, hein? E toma uma saraivada de bicadas. Volta com as penas do rabo entre as patas, faz queixa com o terceiro. E eu ali, só olhando. Sim, sim, eu tenho trabalho a fazer. E dois. E estava ali, apreciando aquela baixaria toda.
Pensei em correr ao quarto e pegar a câmera para filmar, mas fiquei com medo de perder alguma cena importante, sei lá, penas voando, um pescocinho decepado, um bico trincado. Pura emoção.
Na saída, quando a coisa acalmou depois de uns goles de água açucarada, eu achei por bem avisar:
- Podem se pegar à vontade, contanto que fiquem longe das minhas lavandas.
Pelo sim, pelo não, voaram os três para outra varanda.
***
Não quero causar inveja, mas o dia de são jerônimo foi devidamente comemorado com goles de Santa Helena carmenère, salada de camembert com damascos, presunto de parma, ovos de codorna e alface crespa, depois um suflê de salmão. Cafezinho e trufas de chocolate de sobremesa.
Eu mereci cada caloria ingerida.
Ao que agradeço ao patrocinador do 'evento'.
***
Guri nas primeiras aulas práticas da autoescola.
Entre 8h e 10h eu não saio às ruas.
***
Alguém me escreve perguntando sobre a minha fazenda e meu aquário virtuais.
Comenta que "é coisa de criança".
É a segunda vez que eu escuto a gracinha.
Não ligo.
Curto demais minha fazenda, onde planto árvores, legumes, verduras, crio porcos (e agora elefantes, vai entender?) e tenho até patinhos feios que viram cisnes.
No aquário, alimento meus peixes que crescem e acasalam (descobri que financio cada trepada deles a 13 coins; quem dera os moteis custassem 13 reais!) e, depois de crescidos, devolvo os bishinhos para o oceano. Tudo politicamente correto.
E aí vem uma, do alto de sua titulação de 'doutora' em alguma coisa que nem sei, e ri, em tom de deboche, perguntando "até você?"
Como assim "até eu"?
Para não ser grossa, devolvi apenas um olhar de "what the fuck?"
Brinco na hora, dizendo que "sou meio retardadinha mesmo".
À outra apenas digo que tudo aquilo que fazemos com prazer, alegria e nos dá satisfação vale.
Não rouba tempo do meu trabalho.
Não machuca e nem prejudica ninguém.
Então, gente, menos.
Tá?
Pentear uma Barbie pode render horas de total relaxamento. Experimentem. Eu fazia com as minhas sobrinhas e era ótimo. Depois ia ler Foucault, podem acreditar. Não virei uma ameba louca por causa disso. A vida não é só cabeça. Intelectualizar tudo acaba deixando a criatura seca, amarga, triste, feia e enrugada. Economize no creme. E na acidez que você despeja em terceiros: penteie uma Barbie, monte uma casinha de Legos, aperte uma briga de passarinhos, plante lavandas.
Vai por mim.
***
Minha Linha Direta com Ele entrou no túnel e está chiando.
A ligação caiu, mas volta já.
***
Setembro se foi.
Arranco mais uma folhinha.
Agora, outubro.
Pior: ontem vi as primeiras luzes natalinas numa janela.
A frase que vociferei dentro do carro continha cinco palavrões, uma vírgula e um ponto de exclamação.
Gente doente!
E eu sei que ao passar pela l.a. hoje verei pinheirinhos, penduricalhos e panetone na vitrine.
Mais um pouco, sou eu tirando meu presépio prateado do armário.
Passa mesmo.
Este ano voou.
Ano passado, 'blurred'.
Este ano, 'rage'.
Foi mais ou menos assim.
Não sei como e o que vai ser a minha retrospectiva de 2009.
Faço todos os anos.
Mas, agora, neste, não sei nem por onde começar.
Talvez seja melhor não falar nada.
Ou só de trabalho.





