Mas que está ficando lindo, está. Comprei mudas novas, replantei as antigas, mudei vasos, mas, no fim do dia, eu estava de quatro, a coluna chiando, os pés inchados, sem contar as unhas pretas e diria "um certo odor de compostagem nada agradável".
Depois foi cruzar a ponte para assistir à homenagem que fizeram pros meninos que deixaram o Optimist por idade ou tamanho (no caso do Gu, tamanho mesmo). Lindo e emocionante ver os amigos aplaudindo e gritando o nome do Gu quando ele levantou. Foi o mais comemorado, e não segurou as pontas, não; quando vi ele estava chorando mesmo. Tirei fotos, mas só amanhã.
Estou preparando a casa pro fim do ano (leia-se, me livrando das tralhas e embelezando o cafofo).
Então, fui!
(beijo)
Continuo impressionada com esse dom camaleônico de Ms Streep. Cada papel é um papel que não se parece com outro anterior. Os trejeitos, os sotaques, as expressões. Tudo é único em cada papel. É e sempre será minha atriz predileta. Ponto.
Parti para comprar o livro assim que cheguei em casa, o da Julia Child - Mastering The Art of French Cooking.

Oh, sim, uma arte a dominar mesmo. Porque acima de tudo, a cozinha francesa tem a ver com simplicidade e capricho. Você pode comer num pé sujo e sairá de lá babando. Qualquer bistrozinho serve uma massa cozida corretamente, sem ser aquela massaroca insossa e mole feito mingal que comemos aqui. Os molhos dão sempre um toque especial. Ingredientes frescos, geralmente comprados no mesmo dia e de boa qualidade (que já foi a uma feira livre na França sabe do que estou falando). E importantíssimo: margarina é coisa que não 'existe' na França -- uma heresia usá-la. Eu, que nunca gostei de margarina, atesto que fazer qualquer receita com manteiga faz uma diferença danada.
Achei legal o projeto da moça -- testar todas as receitas do livro de Child no espaço de um ano, quinhentas e tantas receitas. E você ali, com seu saco de pipocas e refrigerante diet aguado... Uma tortura.
É um filme leve, despretencioso, gostoso de assistir. Nada "cabeça", nada que exija franzir sobrancelhas buscando interpretações mais profundas, não há o que filosofar a não ser quanto a "simplicidade" e "alegria de viver". Filme simples, daqueles em que você ri, se diverte e curte duas horas sem "sofrer".
***
Chegou aqui! Fresquim!

A biografia de Clarice Lispector escrita por Benjamin Moser, autor americano.
Tinha encomendado para levar nos meus 10 dias de férias, mas não aguentei, já comecei a devorar.
Até porque simplesmente desisti do Diários de Susan Sontag.
Não quero correr o risco de odiá-la porque sempre gostei de seus livros.
Mas é duro, viu?
Eu sei que aos 16, 17 anos todo mundo fica meio nojo, mas ela superou tudo.
É claro, como não poderia deixar de ser, aquela arrogância de alguns intelectuais (principalmente dos assim autodeclarados) com uma capinha de "simplicidade pessoal", "humildade".
Arh!
Tô fora.
Been there.
Pode ser que eu volte ao livro depois das férias.
Mas tem muita coisa boa aqui na fila de leitura antes que eu me torture com essa criatura novamente.
***
Ah, sim, eu adoraria ter um "projeto" como o blog de Julie Powell, mas acho que não sou disciplinada o bastante pra isso. Passar a vida blogando, escrevendo e molhando as plantas seria o must da existência para mim, mas as contas continuam chegando e, além do mais, não consigo me imaginar fazendo outra coisa que não seja o meu ofício exatamente como ele é: traduzir. Aqui, sentada de pijamas ou vestido caseiro, pé no chão, cabelos pingando na cadeiranto onde posso fumar à vontade e levantar a hora que eu quiser. Onde ninguém me enche o saco vendendo calcinha demillus, onde não tenho que me preocupar com alguém a fim de puxar o meu tapete, onde posso falar com os amigos a hora em que quiser e simplesmente não atender o telefone.
Não tem luxo, não tem salto alto, não tem glamour nenhum.
Mas, no fundo, o luxo em si é poder fazer o que eu gosto do jeito que eu quero.
***
(Mário Quintana, sempre maravilhoso)
***
Como em todas as sextas, sobe um buquê de flores pelo elevador.
Eu pego dois vasos - um para a sala, outro para o quarto - e me detenho por um longo tempo a arrumar as flores roxas e lilás nos vasos.
Minha doce diarista -- a Meri-Maria, como eu chamo a Rosimeri -- sorri e diz que sempre se impressiona ao me ver arrumando flores num vaso como quem está "cuidando de um bebê".
A calma no meu jeito de tocá-las.
Quase com um certo respeito.
Quase, não: tenho muito respeito por elas.
Já disse aqui uma vez: o que me encanta nas flores é esta relação silenciosa que mantemos durante algum tempo -- o que elas duram, vivem.
É, portanto, pelo que elas me dão, uma relação de respeito, sim.
***
Escapei do oftalmo.
Phew!
Ele não lembrou que minha consulta "deveria" ter sido em maio.
Ou, se lembrou, achou por bem não comentar.
Guga passou no teste.
Melhor: enxerga muito mal com um olho, mas perfeitamente do outro.
E vem enxergando melhor a cada dia. O grau vem diminuindo.
Phew!
Já comigo, bom...
Eu diria que estou naquele ponto de pegar um cardápio e, se não tem uma santa alma que o leia para mim, invariavelmente é bife com fritas.
Um par de lentes de contato e quatro pares de óculos.
Por incrível que pareça, nem assim.
***
Enquanto estava na consulta, o médico atende um telefonema -- um pouco longo -- de um colega com dois casos complicados.
Uma menina de 9 anos de idade candidata a transplante de córnea, caso sem solução e tratamento.
Uma moça de 20 anos de idade na qual se fará, pelo que entendi, uma tentativa com laser.
Daí porque em maio eu não fui.
Enquanto ouvia o relato do caso da menina, pensei: "e se ela estivesse atrás de mim na fila do transplante?"
Nove anos de idade.
Quarenta e quatro anos.
Sorri, eu, com a minha filosofia barata de sala de espera de médico.
***
Quase-lindo fica na fila da compra de ingressos pro jogo do Fla por cinco horas.
Oi?
Volta morto, exausto, suado, faminto.
Comenta as cinco horas em que conheceu todos os tipos imagináveis na fila.
O povão brasileiro ali, representado naquela fila.
Fico ouvindo as descrições e as impressões dele.
Dava uma crônica e tanto se ele gostasse de escrever.
- O cara atrás de mim era um técnico da Net. E tava lá, cinco horas, junto comigo. Teve uma hora em que olhei pra ele e disse: pô, mermão, agora eu entendo por que minha mãe marca visita técnica da Net e vocês não aparecem!
O cara mostrou a ele a lista de "ocorrências" daquele dia não atendidas.
Desde setembro S. espera conserto para o ar condicionado mal-instalado no escritório.
Dois meses já.
Quatro vezes apareceram sem a peça correta para trocar.
Nas outras duzentas vezes, marcaram e simplesmente não foram, nem deram satisfação.
Solução?
Um balde.
É isso: um balde.
Voltamos lá em cima na reflexão do Mário Quintana sobre o macaco.
***
No final, quase-lindo abre a carteira e ri, comentando que tem 13 reais e 70 centavos para "viver" até o fim do mês.
- E sorte sua que ainda tem casa, comida e roupa lavada.
Eu, má como sou, ainda pedi os 5 reais de troco que ele me devia de um troço aí.
Mas é assim.
Bem-vindo ao mundo real.
Melhor aprender assim que sobra mês no fim da mesada.
Vai esperar até dia 1/12.
Como tanta gente por aí.
E aprender, com menos dor do que muitos, que a gente dá o passo do tamanho das nossas pernas.
Nós mesmas
A não-violência contra a mulher é uma luta longa. E nós não vencemos ainda nem a primeira batalha, que é contra nós mesmas."
Da Ticcia. Ela é ótima!
***
É o que eu digo: nós depomos contra nós mesmas.
***
"Ele veste a camisa branca e diz que ficou pequena. Então me dá a camisa, dá para mim - eu peço. Ele sorri e diz que vai ficar grande em mim. Gentileza. Eu pego, penso e não falo que é porque ela tem o seu cheiro, o contorno do seu corpo e o calor que restou nas fibras de algodão. Visto a camisa com mangas sobrando escondendo as minhas mãos, dou um nó nas pontas da barra e passo o dia com sua casca em mim."
(Ella e Todas as Outras Criaturas)
É, sim, é novo.
***
Calor. Nuvens em carneirinhos. Sensação de sauna úmida. Uma lista de coisas a cumprir e eu ponho o vestido caseiro, sem chinelos, e decido que hoje não há nada mais importante do que fazer apenas e exatamente o que estou a fim de fazer. Aproveitando a folga.
***
Protestos sobre o vestido longo preto que comprei para o reveillon.
Não ligo. Ele é lindo.
Principalmente porque há um bom tempo deixei de acreditar em "símbolos" e "ritos".
Lembro na casa da minha mãe uma mesa onde ficavam enfeites de Natal, uma pequena árvore e todos os cartões que recebíamos. Eu achava aquilo lindo. Desde os aerogramas mais simples até aqueles que tinham estrela com purpurina, e eu ficava feito panaca brincando com o brilho do pozinho. E as bolas de vidro que se quebravam ao menor ventinho (ok, eu e meu irmão teimávamos em jogar bola na sala e vez por outra quebrávamos alguma coisa). O cheiro das castanhas, o quebra nozes sempre a postos ao lado do potinho de nozes e avelã que meu fazia questão, adorava.
A casa vibrava diferente. Cheirava a Natal. E era muito, muito bom.
Hoje os enfeites são mais sofisticados, há eletricidade para gerir mil lâmpadas, árvores de natal que balançam e falam, Papai Noel que embala uma cadeira de balanço. Confesso que estou sem saco de montar a árvore. Geralmente são os meninos que se encarregam disso desde que cresceram. Este ano quero fazer algo diferente. Comprei enfeites e vou fazer uma árvore de Natal "desenhada" na rede de proteção da varanda. Do resto, as plantas se encarregam de enfeitar e dar um colorido diferente.
E volto a brincar com o lance dos sapatinhos na janela: este ano vou botar os tênis dos meninos na varanda (não tenho mais que inventar uma história mirabolante para explicar como Papai Noel "passou" pela rede sem arrebentá-la...) e deixar ali uma besteirinha qualquer, que seja um doce com uma mensagem para eles.
E vou botar no som da casa umas músicas de Natal. Assar um presunto em receita nova.
É isso: fazer vibrar a casa no Natal de um jeito diferente.
***
Calor senegalesco no Centro e eu fui assinar e reconhecer em cartório a permissão pro Gu viajar desacompanhado para a França em janeiro. Daqui a pouco é baixar as lãs, a mala, gorro, luvas, cachecóis, roupa térmica - aquela mesma delícia que um ano atrás eu começava a fazer para ir.
Dá uma coisa boa por dentro saber que ele vai.
E dá uma coisa esquisita saber que não posso ir agora, nem com ele.
Tínhamos feito outros planos.
Mas, c'est la vie, daqui a pouco outros serão feitos.
Como quase tudo na vida.
***
Gente, fiquem tranquilos: a luz voltou na casa da rainha mãe e ela já tem pão em casa.
Ufa!
***
Comprei uma marca nova de leite que destestei.
Tem gosto de Bonzo.
E logo na primeira caixa, o quase lindo vem perguntar que leite era aquele.
Eu já pronta para concordar que era uma merda, e ele declara que 'nunca tomou um leite tão bom'.
O que só confirma que o meu desejo de espalhar todos os dias um saco de Bonzo no chão da sala tem um baita fundamento.
***
Sem um puto. Durinha. Mas, agora, morando num castelo.
"Como só uma rainha merece."
Tá.
Reformando
Um dia por vez agora.
Sai o espaço para comentários, que continuam a ser muito bem-vindos para o meu email do perfil.
Pelo menos temporariamente.
Tem sido cansativo e meio deprê apagar tanta besteira a não ser publicada.
Tem sido trabalhoso e complicado decidir o que é íntimo demais ou não.
Os grandes carinhos eu guardo para mim - como sempre.
O resto prefiro nem ver.
Sabem como é: ando meio sensível.
***
Psicoterapia é coisa cara.
Eu diria, um luxo, um privilégio.
Continuo achando um baita investimento pessoal.
Para quem não pode pagar, há ótimos serviços gratuitos nas universidades.
É só procurar, googlar, perguntar.
Se nada disso adianta, comprar um vasinho de gérberas vermelhas, adotar um bicho, dedicar-se a um projeto social/educativo, um bom mergulho no mar, sabe, essas coisas que nos tiram do tédio, do marasmo e da vida em sentido.
Eu fico besta com a quantidade de gente com tempo de sobra tão mal-utilizado.
Mal no sentido de para nada ou para o mal mesmo.
A vida é curta.
É nossa obrigação tentar fazer algo de bom nesse tempinho.
Ou pelo menos não fazer mal aos outros.
Já é uma grande coisa.
***
Tipos inesquecíveis:
- sabe aquele tipinho que tira foto com as duas mãozinhas juntas no rostinho meio caído prum lado com cara de meiguice? pois é.
- sabe aquele tipinho cujo tempo não tem fim e depois de mamar em tetas douradas durante tanto tempo descobre que a vida pode até ser boa vivendo através dos outros?
- sabe aquele tipinho que envelhece em depressão e resolve brincar de garota?
- sabe aquele tipinho? pois é.
Tinha uma seção que eu adorava na revista Seleções chamada "Meu tipo inesquecível".
(Na falta do que fazer quando eu era "garota" em férias numa cidade onde nada acontecia, eu li a coleção das Seleções das décadas de 1950 até 1970. Tudo. Tu-di-nho. Sabe aqueles anúncios de Simca Chambord, achocolatado Milo e sabão em pó Rinso? Tudo lá. Um barato.)
Eu estou colecionando nos últimos tempos alguns tipos inesquecíveis.
Vai ver tenho uma espécie de imã.
***
Tem uma aliança guardada dentro de uma caixinha de vidro transparente com um papelucho no fundo onde se lê:
"Receba esta aliança em sinal do meu amor e da minha fidelidade".
***
Tá perto.
Mas o mais grave para ele mesmo é o tal do pão. Pão (ter ou não ter em casa) para a minha mãe é um assunto sagrado. Mais ou menos como o leite para mim. Ou o papel higiênico para a matilha. Ao abrir a antepenúltima caixinha de leite, já sinto aquele fio de suor ansioso escorrendo pela testa e tenho que comprar mais. Qualquer integrante da matilha, ao abrir o último saco de papel higiênico (saco = oito rolos) entra em estresse e pergunta todos os dias se já se comprou mais.
Pensei eu em sair daqui do meu cafofo, andar 20 minutos, comprar um saco cheio de pães, gritar para mamãe jogar uma cordinha para içar ps pães até o sexto andar, voltar mais 20 minutos e tal.
Ela contentou-se com bolachas. Mas as velas estavam acabando.
Então a pobre da Ditinha vai descer seis andares, comprar pão e vela, subir seis andares e tal.
Uma santa, a Ditinha.
Voltamos à idade das trevas.
Aqui vez em quando apaga.
Mas eu sou moça previdente e tenho bom estoque de velas (aromáticas, claro; apagão meu é pra ser vivido no chique & cheiroso). três lanternas, radinho de pilha.
E mais: aprendi a deixar sempre a bateria do netbook carregada. E vou comprar uma de reserva.
Só para ter o prazer de ver todo mundo reclamando no twitter que não pode usar o computador.
Juro: não ligo.
A não ser que tenha tradução urgente a fazer, não ligo.
E mais, como tenho um pequeno gravador (pilha), dá até pra adiantar a tradução na base do ditado & vela.
Fiquei feliz por ver no apagão que não dependo dos gadgets. Tenho muitos, mas vivo muito bem sem eles. E não sofro da síndrome de abstinência de interação, muito pelo contrário.
Próximo passo: aprender a fazer fogueira para enviar sinais de fumaça. Bandeiras. Piscadelas.
Ou, então, deitar na cama e dormir.
Foi o conselho que dei.
Mas o problema é a angústia do pão.
***
Hoje, meu amor, lembrei de quando não me joguei no lixo.
Notícias comentadas
Você está fritando batatinhas, mexendo uma panela de brigadeiro, preparando o mocotó pra mozão, e o mundo faz schlurp.
É por isso que eu ando evitando cozinhas em geral.
Menos TV.
Aqui funciona bem. Algumas horas sem TV e PC no apagão, e tivemos uma noite maravilhosa.
Não pensem besteira: foi muito mais papo e interação.
Eu não chegaria ao radicalismo xiita do tipo "ah, eu não tenho TV em casa" (o olhar blasé acompanha).
Tem filme legal. Noticário. Documentário.
Recomendo especialmente a série sobre a vida (interessantíssima, viu?) dos suricatos.
Melhor que dormonid na veia.
***
Entrega de trabalho hoje.
Tiro folguinha de algumas horas, só até amanhã.
Vou plantar as mudas de jasmim de Madagascar que comprei ontem à noite.
(Desesperada de calor, saí de noite roxa para tomar um sorvete Itália de frutas.
Não achei. Tudo cheio. Jogo do Flamengo. Calor. Ruas fedendo. Mendigos. Meninos cheirando garrafinhas. Gente feia pacas. Comprei duas mudas de jasmim na praça, tomei um Chicabom em pé e voltei. Vidão, hein?)
***
Tem algo estranho: um pudim de leite condensado pela metade na geladeira e eu não estou com a menor vontade de comê-lo.
***
Vi um cisco de novela das oito depois de levar mamis a uma endoscopia.
Aliás, a sala de espera de um consultório de endoscopia é algo hilário.
Porque sai todo mundo de lá besteirão.
Com cara de feliz.
Não exatamente dopado, sonolento, mas só besteirão, com um sorriso estranho nos lábios.
Ficam sentados com seus acompanhantes, chapados, com aquela cara de "feliz, mas nem sei por quê".
E nós, os acompanhantes, mortos de inveja.
Fui ver o que tinham dado à véia para aguentar o exame: uma misturinha básica que continha o velho e bom Valium e um cisco meperidina. Um bom coquetel.
Bom pros outros, porque eu tenho intolerância a Valium. Faço efeito paradioxal.
Fico agitada, agressiva e dá amnésia.
(Bom, eu devia ter aproveitado um momento Valium desses pra fazer o que tenho vontade de fazer com uns três ou quatro e não posso sóbria.)
Daí que depois do exame não pode comer e beber até passar aquele grau de felicidade.
Mas mamis, como é a definição do 'mimimi', claro, quer comer, beber, mascar chiclete, chupar bala e falar.
E muito.
A tudo eu digo "não". Ela faz mais mimimi ainda.
Na saída, para compensá-la, paro na Casa Pedro e "deixo" que ela compre um bacalhau.
Voltamos os três de táxi: eu, ela e o bacalhau.
E o calor.
E o motorista.
Fala sério: depois ninguém entende quando dou os meus chiliques.
***
Mas eu falava da novela e acabei me perdendo.
Cada vez mais entendo por que não vejo novela.
Personagens machistas ("mulher minha não tem amigo homem" = ele galinha todas por fora e se faz de ciumento para convencer a mulher de que é um santinho)
Vagabas em profusão.
Péssimas atrizes em bons papéis.
Ou seja, levantei em 10 minutos e fui brincar com o cachorro embaixo do ventilador.
***
Pérola de sabedoria ouvida ontem em frente à parede de ferramentas para o lar:
"Deixa de ser boba, tá fazendo o jogo errado. Tem que pegar esses bofes casados aí, barrigudos e insatisfeitos, porque são eles que vão te dar do bom e do melhor. Você faz aquele teatrinho com ele, se faz de gostosíssima e difícil, e vai ver lá no fim do mês se não tem carne de primeira, perfume do bom e tudo aquilo que você quer. De repente rola até um apê!"
Agora, sim!
As coisas vão ficando mais claras.
Nada como uma mulher inteligente assim para esclarecer as coisas pra mim!
***
Peguei um livro de receitas portuguesas da minha avó.
Na primeira, pedia-se 26 gemas.
Oi?
E era esse povo que comia esses troços com 26 gemas e oito xícaras de açúcar e vivia até os 98 anos.
Lapidar, logo cedo, no twitter.
Vou cunhar moedas e estampar camisetas.
***
Não é fofo quando o filho galalau não vem dormir em casa, mas tem a consideração de mandar um torpedo para o seu celular avisando?
***
Sábado.
Contrariando tudo, estou trabalhando.
Mas depois vou encher meus pulmões de bom oxigênio.
Ontem emborquei cedo, cedíssimo, em sono pós-prandial mais que agradável.
Mas acordei às duas da manhã em ritmo de amanhã que é hoje ainda.
Colhi minhas abóboras, alimentei meus peixes e fui trabalhar.
No santo silêncio.
***
É, eu odeio aquele xópim chiquetérimo, mas ali ficam dois dos meus restaurantes favoritos.
O japonês e o thai.
Fomos de japa.
Escolhi um tal menu surpresa.
O chef prepara quatro pratos (porções pequenas, claro) à escolha dele e o garçom traz e explica o que você vai comer.
Tudo indo muitíssimo bem até ele me sair com um "... e uma redução de laranja".
Arh!
E gargalhada, claro.
***
Observação pós-prandial naquele contexto, depois de passar o terceiro casal modelo: deve dar uma sensação muito boa, um tesão enorme, um poder imenso o cara desfilar de mão dada com "sua mulher" maquiada como drag queen em trajes piranhescos.
Juro que um dia eu vou tentar aquela máscara, shortinho curtinho e sandália altíssima, perfume caríssimo, porém de gosto duvidoso, essa coisa meio CH ou grifes semelhantes que as vadias adoram.
Faço aquela boa de pirulito, um olhar vago e fico quinze minutos vendo que sensação dá.
Essa, a que o homem tem quando olha uma "coisa" assim.
(Que, aliás, sempre pertence a outrem, jamais a si mesmo, né? Porque a "sua mulher" não deve sair assim e ser olhada por outrem. Mas o cara pode (e deve?) perfeitamente olhar a "mulher doutrem" travestida de piranha numa muito boa. Contanto, claro, que seja a mulher do próximo. Jamais a sua.)
***
Mata esse, fio:
"uma pessoa (que não vi e não sei que era) me dá a opção: eu posso escolher se quero ser um nabo, uma batata doce e a terceira coisa eu não lembro. Escolhi ser uma batata doce. Daí eu viro uma versão de Min em tamanho batata doce e vem um pilão e me empurra para dentro de um ralinho de pia, que na verdade era um espremedor de legumes. E saem pedacinhos de mim pelos buraquinhos, micro Mins em minhoquitas de batata doce. Acabou assim."
É, foi um sonho que eu tive.
Vou te contar: a coisa vai assumindo ares apavorantes.
Tenho a sensação de que mais um desses e eu passo a receber do analista.
***
A temporada de festas está aberta.
Aqui é uma atrás da outra.
Aqui, digo, entre os meninos. Não param em casa.
Perfume bom no ar, cabelos penteados e aquele ar de "pré".
Era bom, não era?
***
"E a mãe fica com o copo."
Trabalha, nega, trabalha.
Castelo de vidro
O menino comenta com aquele ar descompromissado que só os de 15 anos conseguem simular quando pretendem expressar pouca importância sobre algo que na verdade gostaram.
Ela ficou ali, num canto da mesa da sala, dois longos dias, e eu passei por ela certamente uma centena de vezes sem me dar conta da sua presença.
Foi ao molhar a planta que percebi a caixinha e, dentro dela, um quadradinho de chocolate enfeitado com florzinha e embrulhado caprichosamente em celofane transparente amarrado com uma fita cor-de-rosa.
Ri internamente a fala materna. Ele não percebera que se tratava de chocolate, algo que engoliria de uma tacada só sem se dar conta do enfeite, do mimo, da delicadeza do conjunto.
Como quase tudo que passa na visão masculina desses e de outros objetos, ou rituais, ou coisas.
Ou pessoas.
Dentro da delicada caixinha de vidro, havia o objeto do desejo, da fome.
Para mim, foi olhar o conjunto da beleza, do singelo cercado por vidro fino e transparente.
Exatamente como fiz um dia.
Sem perceber.
Até a caixinha ser espatifada em marteladas coletivas e nada sutis.
O chocolate, é claro, foi-se.
Provavelmente num único movimento.
A caixinha eu guardei comigo.
Como outras no colecionar das caixinhas.
Eventually
Vou replantar as lindinhas, terra nova, adubo, muito papo-cabeça para ver se elas readquirem o viço mesmo debaixo de 36 graus. Eu, bebendo mais água e desenvolvendo um estranho gosto por pimentas que me fazem sentir mais viva e quente. Checar a lista dos "must do", deus do céu, não há nada que me irrite mais do que uma lista assim! São fotos 3 x 4, documentos a assinar, formulários a prencher, a moça que vem me perguntar às 7h da manhã 'o que é que faz com essa carne', ora, querida, desenvolva um projeto seu, estou louca para ver, não quero nem saber.
São 49 laudas de uma tradução minha para revisar, consertar, reescrever trechos, e eu sou chata pra caramba com essas coisas. Perco (?) um tempo enorme corrigindo aquilo que eu fiz e ainda por cima falando sozinha enquanto faço ("anta", "que horror", "assim é melhor"). Depois, livro novo de encodrino para traduzir. ("Ora, querida, faça o concurso, um bom salário, benefícios, aposentadoria garantida, estabilidade", o quê? O que é mesmo estabilidade que eu não sei mais?). Sou cri-cri para trabalhar. Perfeccionista. Detalhista. Mas é um 'must do" que me agrada. O resto, dear lord, é duro. Já teve o primeiro telefonema de amigo oculto... Eu venho trabalhando o quesito paciência com uma força pancreática. Mas, afinal, foi a tônica, o mote do ano: paciência. E fé - a que eu perdi, acho eu que definitivamente, mas ainda assim é preciso olhar nem que seja uma bola de algodão e acreditar. Verbos que entraram na lista da revisão - confiar, crer, entregar, perdoar, voltar, ficar. Não sei, é uma conjugação difícil, e eu conto com o meu analista budista e minhas duas amigas espiritualizadas, K. e K., olha só que coincidência, para uma luz, melhor, um holofote extra na minha alma machucada.
Já comecei o balanço anual e talvez o que tenha marcado mais tudo isso foi ver os homens que existem nos meus filhos, os que perderam os ares de meninos e hoje se envolvem com barcos de adultos, projetos olímpicos, pesquisas de biodiesel e leite de soja, obrigações militares, documentos e quetais. Nunca fui tão espectadora como agora. Olho. Escuto. Não é só dormência e anestesia, mas uma simples necessidade de olhar sem intervir, sem falar, sem achar nada. Vejo essas vidas em curva ascendente e outra, tão amada, na descendente, da qual me afasto com dois passos básicos para trás para olhar melhor e olhar um pouco menos também. De quem me afastei, acho que pouco importa agora. E foram muitos. Muitos mais do que um dia supus, quis e planejei. Mas tá feito, não tem volta, no regrets. But a few, como diria Frank. Paciência. Só aprendemos a tomar as decisões certas quando tomamos uma penca de erradas. E bastou uma, umazinha só, para fazer da boneca gente.
***
Pronto. O mês de janeiro foi excluído. Resolveu o problema? So I hope.
Oficialmente, o ano de 2009 começou, aqui neste blog, em fevereiro. Para evitar incômodos.
A pendenga com o meu blog - este aqui - foi resolvida enfim.
Não foi engraçado, não foi útil, não levou a nada.
Ou melhor: só me fez ver que há pessoas doentes demais neste mundo que não procuram ajuda.
Mas tá tudo limpo.
Limpinho.
***
***
Enquanto eu não tomar um banho de pato como gosto, meu humor não melhora.
Melhor eu ficar quieta.
***
Esse texto aqui que estou traduzindo sobre a história da pesquisa entomológica no Brasil é maravilhoso, mas cada vez que passa um mosquito por mim entro em pânico.
Vocês não imaginam a quantidade de moléstias que esses pentelhinhos miudinhos podem transmitir.
Além, é claro, do zzzzzzziiiiiiinnnnnnn.
Uma vez, em Búzios, eu fiz, desesperada por não ter dormido à noite por causa de um único pernilongo.
De manhã, o bicho estava grudado na parede, gordo feito um porco, com meio litro de sangue meu lá.
E eu parecia que estava com catapora.
Prendi o infeliz num copo.
Ele nem se mexia, mas estava vivo, sim.
Tirei um cantinho da mão de cima do copo e passei um bom tempo com a boca encostada ali só fazendo zzzzzzziiiiiiiinnnnnn nos ouvidos dele.
Vingança.
***
É um espetáculo ouvir as entrevistas das otoridades sobre o apagão.
Desde o ministro até o peão.
Cada um contando a mesma ladainha com tintas diferentes.
E eu cantei essa pedra aqui em casa na hora do apagão:
- Vocês vão ver. Amanhã vão dizer que caiu um raio num torrinha lá em São José do Curralinho a 800 km de Santa Madalena dos Ganchos Altos, perto da fronteira com Cabraiola do Sul.
Fotos.
Eu quero fotos do lugar, do estrago.
Nunca mostram.
Aquela montagem da primeira página do jornal é ridícula.
E ainda bem que não tivemos estragos aqui.
Porque aparelho queimado + banho adiado é uma combinação explosiva para o meu humor.
Let it shine
Há muito tempo não tínhamos uma noite tão gostosa.
Juntos, na sala, o notebook do Bruno ligado com música tocando e um jogo de copas comunitário.
Grata por ouvir sair daquela máquina de um 'guri' de 18 anos pérolas como Chico Buarque dos anos 60/70, Monarca e a Velha Guarda da Portela, Jorge Aragão, Paulinho da Viola.
Samba de raíz, que é o que nós gostamos.
E acho que deixei boa herança ali.
Claro, teve também, como não poderia deixar de ser, Aerosmith, Los Hermanos, Paralamas, Oasis e algo que os meninos explicaram como "tecno-brega", recém-importado do meu filhote africano de Pernambuco. Letras engraçadíssimas, muito bom humor e criatividade. Amei.
Foi o papo na varanda, onde estava mais fresco e corria uma brisa bem discreta, mas corria.
Ótima oportunidade para acender TODAS as minhas velas aromáticas - as que trago de todos os lugares do mundo que visito.
A casa ficou inundada do perfume das velas de lavanda, bergamota, verbena e limão.
Uma delícia!
Cantamos (e dançamos), falamos dos treinos de valsa, da faculdade, do Natal que se aproxima "mãe, vamos baixar a árvore, sim, e montá-la como sempre fazemos!"), de estudos, de planos, de viagens que fizemos.
Contamos histórias e piadas, rimos e debochamos como sempre.
Ninguém arredava pé da sala, onde todos ficamos juntos, espalhados por almofadas, no chão ou no sofá.
À luz de velas mesmo, o Gu terminava a planta baixa de um jardim - trabalho escolar para hoje, não tinha jeito (o que é que eu digo sobre deixar as coisas para a véspera?).
Demos pitacos no trabalho dele, uma flor aqui, um canteiro ali; difícil nos decidirmos pelo melhor tom de verde ou de terracota porque pouco se enxergava. Mas ficou bonito. Hoje de manhã vimos o resultado final.
Quando enfim a luz voltou, já era muito tarde, bem passada a hora de dormir habitual, mas nos olhamos com uma expressão quase de pena por aquilo ter terminado.
Precisamos fazer isso mais vezes. Apagar as luzes, desligar tomadas, desplugar de coisas para nos plugarmos ao outro.
Mommy dearest moment
Brunette.
Big eyes.
Very thin (oh, crap!).
Sweet voice.
Smells really good.
Studying.
Chemistry.
And she's not my daughter.
(Sigh)
Mommy dearest moment.
Obs.: ninguém herda de vizinho.
eu: Senhor?
(...)
eu: Senhor?
(...)
eu: Ô, de casa! Do céu! Do firmamento!
(...)
eu: É sempre assim, né? Ha hora agá, some! Já sei, já sei... não vá à sala oferecer nada. Saco!
Ele: Filha, vai jogar tetris, vai...
eu: Engraçadinho, o Senhor, né? hahahahaha
Amei.
E "passarinho que come pedra sabe..."
Bom, vocês sabem.
***
Dia de muito trabalho. De muito calor. E a moça da saia curta ainda é notícia. E a minha restituição do imposto de renda não foi restituída. E o homem da meteorologia logo cedinho disse que ia chover muito por aqui. E o síndico quer fazer obras de piso na porta do meu ap em novembro (claro, estendendo-se por dezembro porque os rapazes não vão entregar na data).
Caraca.
Dia de marcar a passada de pente fino no boneco: dentista, oculista, clínico.
E prova para curso de inglês novo ano que vem.
Aquele, o caro.
"Tu vai fazer o exame de Cambridge, sim."
É assim aqui às vezes. Democracia lusitana.
Faço o que posso e 'acho' que vai ser melhor lá na frente pra eles.
O que eles vão fazer com o resultado depende deles.
Eu financio.
E acompanho assim, de longe, a uns 10 passos de distância.
***
Fim de ano chegando (não, Senhor, não vou começar com a ladainha de novo), e a legião da boa vontade me caçando no telefone.
- Não, senhora, eu não tenho boa vontade.
Simples assim.
***
Se eu disser que (já) comprei um belíssimo vestido para meu reveillon al mare vocês acreditam?
E se eu disser que é preto?
Bom, não custa tentar.
***
Trabalho em grupo hoje à noite aqui.
Pode?
Pode.
Grupo, não, dupla.
Melhor.
Lembro que é dia de dois-em-um da pizzaria (você pede uma e leva outra de graça).
O quase-lindo riu na minha cara.
- Duas pizzas? HUAHUAHUAHUAHUAHUA.
Pô.
A loja de ração pra cachorro é bem aqui em frente...
***
Ontem andei durante seis horas.
Don't ask.
Zica mode on and highest volume.
Nem eu sei explicar.
Sunny Sunday
E finalzinho de regatas - um primeiro e um segundo lugar.
***
"Na ponta dos pés".
É o novo título.
Hot stuff
Devia ser proibida qualquer atividade obrigatória (trabalhar, sair à rua, fazer mercado etc) acima dos 36 graus. É desumano. Eu só volto a ser gente lá para abril ou maio. Se antes rolar de voltar para a cidade luz, melhora bem. Mas tô achando difícil.
***
Como convencer a sua mãe de que ela precisa de uma "acompanhante"?
É mais ou menos como botar filho na creche, deixar flho com babá em casa.
Difícil.
Mas necessário.
Vai ser uma parada dura.
Mas eu sou uma só. A Bia também.
E às vezes nem temos tanta certeza disso.
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O cara, naquela fase de testar o pau, troca linda mulher - diretora de um serviço maravilhoso, inteligente, baita profissional, gente boa e tal - pela mocinha desengonçada, limitada e feiosinha que trabalha na recepção.
Cês tão entendendo quando eu falo de perder a fé?
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Filho faz treinos de dança para dançar valsa numa festa de 15 anos.
E aluga terno para o evento.
No início, o mau humor imperava.
De repente, ele começa a achar Strauss um barato.
E, claro, essa coisa de tomar a dama pela cintura e girar.
Hum, hum.
***
Amei: pingente de prata com vidro murano âmbar trazido da Itália para mim.
Pousou no meu pescoço lindamente, como se sempre estivera ali.
Tem gente que acerta em cheio mesmo.
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Orgulho dos cachos perde para a sensação de ter um carneiro morando na minha cabeça.
Tá duro.
Não, não vou desistir.
Mas, acreditem, é difícil.
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Acho que vou ali e já volto.
É sobre o concurso de tradutor juramentado no Rio de Janeiro.
Eu não sabia disso tudo.
La-men-tá-vel.
Minha intuição raramente falha: ainda bem que não perdi tempo com isso.
Não é a minha área e, por isso, não fiz o concurso.
Cá entre nós, mesmo se fosse.
Taí a resposta a antipatizantes e familiares em geral quando eu disse que não faria o concurso.
Minha praia é outra.
Prefiro fazer a prova de certificação da ATA especificamente para medicina.
Justa, inteligente e 'real'.
No dia em que eu mudar do ramo, começo do zero.
Ou do meio do caminho.
É uma vergonha.
***
Em tempo: com a tradução para o dream client em andamento (a história da pesquisa científica no Brasil, gente, uma delícia, parece um romance), outro cliente med vai mandar tradução de endocrino semana que vem.
Agora deu pra isso: trabalho em dupla.
Chegam assim, aos "casais".
Eu racho o cérebro ao meio, aloco Lindinha pra um, Killer pro outro, e no fim dá certo.
Trabalho muito, sim.
E sorrindo.
Continuo achando a suprema felicidade trabalhar exatamente no que eu gosto, do jeito que eu gosto e ainda ser paga pra isso.
Às vezes bate um cansaço, claro.
Mas nada que pequenas férias de cinco dias no Sul e uma semana al mare não resolvam.
Counting the days.
***
Ligaram o forno (crematório) por aqui.
Chego a sentir cheiro de frango assado (ui!).
Devia ser proibido sair na rua com um calor desses.
Bruno disse que ontem viu um termômetro no Fundão marcando 45 graus.
Não duvido.
Sexta-feira, dia de casa com flores frescas (hoje foram agapantos roxinhos, lindos de morrer e bem resistentes à canícula).
E dia de peixe com torta de cebola.
E laranjola (laranja-lima batida com acerola) fresca e geladinha pro almoço e o resto do dia.
Se eu não tiver cozinhado antes, começo a noite com um bom mergulho.
Uma pizza marguerita e coca geladinha no deck.
Ô, vida besta!
***
O porteiro noturno sempre está dormindo quando eu chego.
Demora horas para abrir o portão.
Raramente ouço uma palavra dele.
Basicamente, grunhidos.
Mas ontem, depois que subi, ele interfona para dizer que tinha chegado uma caixa com uma encomenda para mim.
Às 23:30 h.
Um doce, né, não?
***
Aliás, era isto aqui.

Méo, tudo méo!
***
Uma agenda italiana Legami 2010.
Diretamente de Florença para euzinha.

Bom, alguém que acredita que tenho planos para 2010.
(com elástico externo, do jeito que eu gosto, aos moldes moleskine, para conter os dois mil papeizinhos que eu vou enfiando dentro da agenda)
***
Leio sobre o caso da moça que foi perseguida e agredida em uma universidade paulista por estar de vestido curto.
Já achei o fim.
Depois leio que a moça resolveu ir no dia seguinte de calça comprida, talvez para evitar problemas semelhantes.
Achei mais fim ainda.
Fato:
- Neste país de bosta, se você põe roupa curta e decotada vai chamar atenção, sim. Olhares gulosos, fiu-fius, mãos bobas e tal.
Então, é preciso estar ciente disso, ok?
Mas 'ceder' e optar por calça comprida "para evitar problemas" já é partir para o oposto. É fazer o jogo da repressão.
Use o que quiser, caramba!
***
Sabe aqueles papos entre pais e filhos em que alguém tenhta vencer o argumento?
O fedelho está errado, está sendo arrogante e insiste em não cumprir com algo que deveria fazer?
E você sente que o tom de voz dele subiu um culhonésimo de decibel acima do limite tolerável e desejável entre pessoUas?
Pois é.
É a hora do famoso "because I say so".
Lamento, mas às vezes é preciso.
Vem, não.
Filho é um bicho que cresce só em tamanho.
***
eu: Oi?
Ele: Hi, stranger!
eu: é, Senhor, entramos em novembro...
Ele: ... e partimos com tudo para as festas de fim de ano ...
eu: ... e as listas de presentes, os amigos ocultos, as caixinhas de Natal, as vitrines cheias de motivos jingle bells, o calor medonho, uma nova receita de peru ...
Ele: Filha, olha bem pra mim... Tá reclamando do quê? Milhares de pedidos, meu nome dito em vão, suicidas em potencial, deprimidos em geral, consumistas em futuro arrependimento, hipócritas na missa do galo, hereges nas filas de comunhão, aquele cheio de vela e insenso, mail e junk mail, lidar com o estresse do papai noel, dos anjos e santos todos de uma só vez...
eu: Ops! Foi mal.
(aí, "tio", abre o olho que eu vou passar)
Vamos, minha gente. Olha que faz um bem danado dar bom dia pro vizinho, desejar um ótimo dia, plantar e adotar vacas cor de rosa e patinhos feios. Meus porcos estão gordos, minhas lavandas estão lindas, meus amigos fertilizam minhas plantações todos os dias e fica aquela coisa ali, brilhando, linda. Let’s harvest our lemon trees, ai, tão lindas, aquela fileira verde escura com frutas verde claras! Seu fígado agradece, você vai poder abandonar de vez o iogurte que promete fazer seu intestino funcionar em 14 dias ou seu dinheiro de volta (vamos combinar: se você ficar 14 dias sem fazer o número dois, nem estará vivo pra reclamar e receber seu dinheiro de volta, né?). Os poros dilatados se fecharão, os pontos pretos sumirão, nenhuma espinha crescerá em seu rosto. Você fará até menos depilação! Adeus buço, olheiras e queixo duplo! Cabelos brilhantes, barriga tanquinho, e aquele nó no esôfago desaparecerá também. Escovem seus cavalos, ordenhem suas vacas, pet your rabbits. Compre uma cerca branca nova, mande um fardo de feno violeta para os vizinhos, acasale seus peixes no aquário e veja o ovinho caindo. Tenha prazer no que faz. Saiba o que é prazer, satisfação, sorriso. Há mais vida além dos neurônios treinados à base Foucault, Freud, Picasso e Sócrates. Há os quinze minutos de descompromisso, do café com um pauzinho de canela no fundo, de um vento que entra pela janela e bate nas suas costas suadas, de fechar o olho e lembrar daquele beijo. Há lavandas a plantar, daffodils a escolher, tulipas vermelhas a arrumar num canto da sua tela verdinha. Há tempo. Muito tempo. Há coisas que crescem. Há o que se construir. E reconstruir.
***
Há um tempo para tudo.
Melhor para quem sabe quando esperar e quando correr atrás.
Às vezes, um exercício de paciência.
Às vezes, um exercício de perseverança.
É uma das grandes sabedorias da vida.
***
Na água
tem que haver muito amor
(é, a única mãe na raia num dia de vento e chuvão)
esforço
amizade
o homem-borracha
montando a bóia em sexto para a chegada
lanche
'avaliando táticas'
final: comemorando com o técnico os bons resultados e o ótimo campeonato
***
Fiquei muito impressionada depois de um bom tempo sem ver regatas.
Impressionada com a maturidade que ele vem atingindo.
Consciente, frio, atento e muito técnico.
Fez tudo direitinho.
Vai ganhando lastro.
2016 está aí.
O mais jovem - 14 anos, apesar do tamho - dos top 10 do campeonato estadual.
Chegou na frente de muitos campeões, fez bonito e mereceu elogios dos experientes.
Entre 43 barcos, conseguiu um quinto, um sexto, um décimo.
Hoje sai o resultado, mas já vi na súmula que é o mais jovem mais bem-classificado.
Parabéns, Gu!
Mó orgulho!

